31 de julho de 2025
SAÚDE

Atraso em repasses do governo estadual coloca em risco a oncologia do Hospital Chama, em Arapiraca

Conselho Estadual de Saúde alerta que falta de dinheiro na conta e déficit de profissionais ameaçam atendimento de 1.800 pacientes por mês de 47 municípios; MPF e MPAL são acionados

Por Redação
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O Hospital Chama, em Arapiraca, Alagoas. - Foto: Divulgação

atraso nos repasses financeiros da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) ao Complexo Hospitalar Manoel André, o Hospital Chama, em Arapiraca (AL), colocou em estado de alerta a assistência oncológica de toda a 2ª Macrorregião de Saúde. A unidade, que atende cerca de 1.800 pacientes por mês de 47 municípios, pode ter sua sustentabilidade comprometida se o fluxo de recursos não for regularizado com urgência.

O alerta partiu do Conselho Estadual de Saúde de Alagoas (CES/AL) , que aprovou parecer técnico após visita ao hospital. O documento aponta que, além da falta de dinheiro em caixa, a unidade sofre com um déficit crítico de profissionais, especialmente médicos oncologistas e cirurgiões, o que compromete a agilidade e a qualidade do atendimento a pacientes com câncer.

Embora o Hospital Chama tenha estrutura física compatível com sua habilitação como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o volume crescente de atendimentos evidencia uma pressão insustentável. O parecer do Conselho destaca que o atual modelo de funcionamento precisa ser reestruturado com urgência para reduzir gargalos e acelerar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

No caso do câncer, o tempo não é apenas um fator administrativo – é um fator de sobrevivência. Cada dia de atraso pode significar a perda de uma vida que poderia ter sido salva.

O ponto mais grave apontado pelo Conselho é o atraso nos repasses da Sesau, que compromete a previsibilidade administrativa e fragiliza todo o funcionamento do serviço. Sem dinheiro na conta, o hospital enfrenta dificuldades para manter a estrutura, pagar fornecedores e garantir a continuidade do atendimento a milhares de pacientes que dependem exclusivamente do SUS para tratar a doença.

Diante do quadro, o Conselho Estadual de Saúde decidiu ampliar o debate institucional e convocou para uma reunião emergencial o Ministério Público Federal (MPF) , o Ministério Público de Alagoas (MPAL) , a Secretaria de Estado da Saúde, a direção do Hospital Chama e o Conselho Municipal de Saúde de Arapiraca.

O objetivo é cobrar esclarecimentos e discutir soluções concretas para evitar que a situação se agrave ainda mais .

O Conselho Estadual de Saúde reafirma que o acesso ao tratamento oncológico não é um favor, é um direito constitucional assegurado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Qualquer fragilidade estrutural, atraso financeiro ou insuficiência de profissionais representa, na prática, uma ameaça direta à vida dos pacientes.

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