31 de julho de 2025
13 dias antes da morte

Mensagens indicam que coronel agrediu esposa PM antes da morte em SP

Investigação aponta que Gisele Alves Santana sofria violência física e psicológica do marido, tenente-coronel Geraldo Neto

Por Redação
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Mensagens indicam que coronel agrediu esposa PM antes da morte em SP - Foto: Reprodução TV Globo

Mensagens extraídas do celular do tenente-coronel Geraldo Neto, suspeito de matar a esposa, a PM Gisele Alves Santana, mostram que ele a teria agredido fisicamente 13 dias antes do crime, ocorrido no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo.

Em troca de mensagens no dia 6 de fevereiro, Gisele escreveu: “Você sempre caçando um motivo para brigar. Mas você vai ver só. Você enfiou a mão na minha cara ontem. Gritou comigo hoje”. A Corregedoria da PM concluiu que a expressão sugere violência física, indicando que Gisele já estava em um relacionamento marcado por comportamentos agressivos e potencialmente violentos.

O crime, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser investigado como homicídio após laudos periciais. O tenente-coronel foi indiciado por feminicídio e fraude processual. Mensagens também revelam humilhações e controle psicológico. Gisele relatava piadas, comentários depreciativos e comportamento “babaca” do marido, inclusive no trabalho.

Ela escreveu: “Não dá para entender. Você pediu para eu não ir embora. Eu fico e você continua igual, até pior, com seu tratamento. Falando coisas para me humilhar, para me provocar.”

Em outros diálogos, Geraldo Neto dizia: “Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido. E não na rua, caçando assunto. Rua é lugar de mulher solteira à procura de macho.”

Segundo a Corregedoria da PM, os diálogos indicam uma “concepção de relacionamento baseada em submissão e hierarquia no âmbito doméstico” e “indícios de violência psicológica reiterada, caracterizada por tentativas de controle, constrangimento e desqualificação da autonomia da vítima”.

A Justiça Militar decretou a prisão preventiva de Geraldo, citando risco de interferência nas investigações e necessidade de preservar hierarquia e disciplina militares. A decisão também autorizou apreensão de celulares, quebra de sigilo de dados e compartilhamento de provas com a Polícia Civil, que conduz investigação paralela.

Os laudos periciais apontam feminicídio: trajetória da bala, profundidade do ferimento e exames necroscópico, toxicológico e de exumação indicam que Gisele não se matou. Peritos também notaram que a arma não apresentava pólvora nas mãos da vítima e que seu corpo apresentou marcas de dedos no pescoço.

Outros elementos reforçam a suspeita: Geraldo só chamou ajuda 29 minutos após o disparo, desobedeceu orientação policial ao se banhar após o crime e há registro de sangue da vítima espalhado pelo apartamento, detectado com luminol. A Corregedoria investiga também possível abuso de autoridade na conduta do coronel após o crime.

Geraldo será interrogado, passará por exames de corpo de delito e seguirá para o Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. O inquérito policial militar ainda será concluído nos próximos dias.

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