31 de julho de 2025
Morte suspeita em SP

“Eu tenho acesso”: mensagens indicam controle de celular de PM encontrada morta em apartamento

Conteúdo obtido pela família reforça suspeita de pressão e possível violência psicológica; oficial da PM foi afastado

Por Redação
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“Eu tenho acesso”: mensagens indicam controle de celular de PM encontrada morta em apartamento - Foto: Reprodução

Mensagens trocadas pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, revelam que ele afirmava ter acesso direto às redes sociais da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia, na região do Brás, área central de São Paulo. O material foi reunido pela família da vítima e anexado à investigação que apura o caso como morte suspeita.

Em um dos diálogos, o oficial se apresenta a um primo de Gisele e afirma: “Eu sou marido da Gisele. Eu tenho acesso às redes sociais dela e ela às minhas. Eu que printei as conversas suas com ela”. Na sequência, demonstra incômodo com o contato entre os dois e diz que não queria mais que o familiar mantivesse conversas com a esposa.

O primo responde que conhece Gisele desde a infância e nega qualquer envolvimento além de amizade. Ele afirma que as conversas eram comuns entre familiares e sugere um encontro para esclarecer a situação. O tenente-coronel encerra o diálogo dizendo que não queria mais contato.

Investigação e mudança de classificação

Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência passou a ser investigada como morte suspeita pela Polícia Civil após surgirem elementos que levantaram dúvidas sobre a versão inicial. A arma utilizada no disparo pertence ao oficial.

Em depoimento, o tenente-coronel declarou que havia comunicado à esposa o desejo de se divorciar e que ela teria reagido mal à decisão. Segundo ele, o fato ocorreu enquanto estava no banho. O militar também informou que acionou o helicóptero Águia, solicitou equipes da corporação e comunicou um amigo desembargador.

A defesa da família contesta a narrativa. Em coletiva, o advogado José Miguel Júnior afirmou que as mensagens reforçam a tese de que Gisele vivia sob pressão. Segundo ele, a policial estaria tentando se separar e enfrentava dificuldades para manter contato com familiares e tomar decisões do dia a dia.

O advogado ainda questiona a preservação do local onde o corpo foi encontrado, apontando possível comprometimento da cena antes da perícia.

Relato da mãe

A mãe da policial também rebateu a versão apresentada pelo genro. Ela classificou o relacionamento como conturbado e acusou o oficial de comportamento controlador. Segundo o relato, a filha teria restrições quanto a vestuário e rotina doméstica.

Afastamento do oficial

A Polícia Militar do Estado de São Paulo informou que o tenente-coronel foi afastado das funções enquanto o caso é investigado. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o pedido de afastamento partiu do próprio oficial.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer as circunstâncias da morte.