31 de julho de 2025
Caso Policial

Família de PM morta apresenta áudio e aponta que soldada planejava sair de casa antes da morte

Advogado revela gravação em que Gisele Santana pede ajuda ao pai para se mudar; versão de suicídio é contestada e investigação apura feminicídio

Por Redação
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Família de PM morta apresenta áudio e aponta que soldada planejava sair de casa antes da morte - Foto: Reprodução

O advogado Miguel Silva, que representa a família da soldada da Polícia Militar Gisele Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro, apresentou nesta segunda-feira (16) um áudio enviado pela própria policial ao pai. Na gravação, Gisele solicita ajuda para encontrar um novo apartamento, preferencialmente próximo à residência dos pais, reforçando a versão da família de que ela pretendia se afastar do marido, o tenente‑coronel Geraldo Leite Rosa Neto.

“Recebi um áudio onde Gisele, no ano passado, pede para o pai arrumar uma casa para ela. O desespero era tanto”, afirmou Silva, durante coletiva. No registro, Gisele detalha que morar mais perto facilitaria sua rotina de trabalho e os cuidados com a filha: “Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo para trabalhar e não quero perder tempo com deslocamentos”, diz a policial na mensagem.

O advogado também destacou um histórico de ameaças e perseguições atribuídas ao tenente‑coronel. Segundo Silva, há boletins de ocorrência entre 2009 e 2010 de ex-companheiras que relataram perseguições e ameaças de morte, além de registros de 2022 envolvendo assédio a policiais militares subordinadas do sexo feminino. “É um histórico ameaçador, um histórico perseguidor”, afirmou Silva.

A defesa do coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, mantém a versão de suicídio. Segundo o advogado Eugênio Malavasi, Gisele teria disparado contra si mesma após uma discussão, e o coronel, que estava no banheiro, teria encontrado o corpo. “A defesa aguarda a conclusão da Polícia Civil e confia que a investigação confirmará a hipótese de suicídio”, disse Malavasi.

A família de Gisele contesta essa versão e aponta a possibilidade de feminicídio, alegando indícios de crime doloso contra a vida. Laudos periciais já identificaram marcas de unhas e arranhões no pescoço, lesões no rosto e disparo à queima‑roupa, além de inconsistências na cena e no relato do coronel.

O caso, inicialmente registrado como suicídio, foi reclassificado como morte suspeita. A investigação ainda aguarda a conclusão de laudos toxicológico e do local da morte, além de exames complementares do Instituto Médico Legal (IML). Paralelamente, a Polícia Militar instaurou Inquérito Policial Militar para apurar denúncias de ameaças e perseguição na relação do casal.

A filha de Gisele, que vivia com a mãe, deverá ficar sob a guarda do ex-marido da policial, conforme informou o advogado da família. As apurações continuam em andamento para esclarecer se a morte foi suicídio ou crime.

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