31 de julho de 2025
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Tenente-coronel da PM é indiciado por feminicídio na morte de policial baleada em SP

Investigação descarta suicídio e aponta indícios de agressão antes do disparo que matou a soldado dentro de apartamento

Por Redação
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Tenente-coronel da PM é indiciado por feminicídio na morte de policial baleada em SP - Foto: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o tenente-coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto por feminicídio e fraude processual na morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, baleada na cabeça em fevereiro deste ano na capital paulista.

Nesta terça-feira (17), a polícia pediu à Justiça a prisão do oficial. O pedido contou com manifestação favorável do Ministério Público de São Paulo e também foi reforçado pela Corregedoria da corporação. Até a última atualização, o Tribunal de Justiça de São Paulo ainda não havia se pronunciado sobre a solicitação.

O indiciamento ocorreu após a inclusão de novos laudos da Polícia Técnico-Científica de São Paulo no inquérito. As análises apontaram elementos que contrariam a hipótese inicial de suicídio.

Entre os pontos considerados decisivos estão a trajetória do projétil que atingiu a cabeça da vítima e a profundidade das lesões identificadas no corpo. Os exames também indicaram que a policial não estava grávida e não havia consumido drogas ou álcool antes da morte.

Perícias apontaram ainda marcas de agressão no rosto e no pescoço da vítima. O laudo necroscópico descreve lesões compatíveis com pressão de dedos e arranhões, o que pode indicar que ela foi agredida antes do disparo.

A investigação também identificou manchas de sangue em diferentes cômodos do apartamento onde o casal morava, no bairro do Brás, na região central da cidade.

O caso ocorreu na manhã de 18 de fevereiro. Segundo o relato do oficial, ele estava no banho quando ouviu um barulho e encontrou a esposa caída na sala com um ferimento na cabeça. Ele foi quem acionou o socorro.

No entanto, depoimentos de socorristas levantaram dúvidas sobre essa versão. Bombeiros afirmaram que o tenente-coronel estava completamente seco quando as equipes chegaram ao local e que não havia marcas de água no apartamento que indicassem que ele havia acabado de sair do banho.

Outro ponto citado pelos investigadores é o intervalo entre o disparo e o primeiro pedido de socorro. Uma vizinha relatou ter ouvido um estampido por volta das 7h28. Já a primeira ligação do oficial para a polícia ocorreu apenas às 7h57.

A conduta do marido também chamou a atenção da equipe de resgate. Socorristas relataram que ele aparentava tranquilidade e não demonstrava sinais de desespero durante o atendimento.

Durante a manhã da ocorrência, o tenente-coronel também entrou em contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, que chegou ao prédio cerca de uma hora depois do disparo. A presença do magistrado no local passou a ser questionada pela família da vítima.

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas passou a ser tratado como morte suspeita após contestação de familiares da policial. O corpo foi exumado e submetido a novos exames no Instituto Médico Legal.

O inquérito ainda aguarda resultados complementares do Instituto de Criminalística de São Paulo para esclarecer a dinâmica do disparo.

Em nota divulgada anteriormente, a defesa do tenente-coronel afirmou que ele tem colaborado com as investigações e permanece à disposição das autoridades. Já a defesa do desembargador informou que ele foi ao local a pedido do oficial, como amigo pessoal, e que prestará os esclarecimentos necessários à polícia.

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