Comandante dos bombeiros crava: "Crianças de Bacabal não estão na mata"; pista agora aponta para o rio Mearim
Após três meses de buscas, autoridade afirma que irmãos de 4 e 6 anos não teriam sobrevivido sozinhos na floresta; cães farejadores indicam que elas chegaram às margens do rio
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Três meses após o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, em Bacabal, no Maranhão, uma conclusão importante foi revelada pelo comandante-geral do Corpo de Bombeiros do estado, Célio Roberto Araújo. Em entrevista ao Metrópoles, ele afirmou com convicção que as crianças não estão perdidas na floresta.
“Perdidos na mata eu posso cravar que não estão. Nós palmilhamos ali cada espaço da mata, inclusive fizemos isso de modo científico, distribuindo por quadrantes os homens que fizeram as buscas. Tivemos em média 300 pessoas por dia”, declarou o comandante.
Os irmãos desapareceram no dia 4 de janeiro deste ano, junto com o primo Anderson Kauã, de 8 anos. Kauã foi encontrado com vida três dias depois, debilitado e desidratado. Já Ágatha e Allan nunca mais foram vistos.
O comandante explicou que, devido à pouca idade, as duas crianças não teriam condições de sobreviver isoladas na mata. Ele usou o estado em que Kauã foi encontrado como parâmetro: desidratado e desnutrido, mesmo sendo mais velho e tendo acesso a água da chuva.
“Na mata tem água, tem alimento, mas a criança não tem essa iniciativa de buscar o alimento. Basta ver o Kauã: ele estava desidratado, bem desnutrido, porque não conseguiu se alimentar. As crianças de 4 e 6 anos não teriam condições de ficar na mata sem o apoio de alguém”, afirmou.
Outro ponto fundamental revelado por Araújo é que os cães farejadores indicaram que as crianças chegaram até as margens do rio Mearim. Agora, as investigações seguem duas linhas principais: afogamento ou a possibilidade de os pequenos terem sido levados por meio do rio.
“O certo é que as crianças chegaram até a margem do rio. A polícia civil tem intensificado o trabalho para não descartar nenhuma variável: das crianças terem desaparecido no rio ou por meio do rio”, explicou.
As buscas no rio Mearim foram complexas devido à água turva e à falta de visibilidade. Os bombeiros realizaram mergulhos táteis, mas as condições eram perigosas, com correnteza e galhos submersos. Por isso, foi necessário acionar a Marinha, que utilizou sonar para vasculhar o leito do rio.
“Nossos bombeiros fizeram um percurso de 180 quilômetros pelo rio fazendo buscas. A água é muito turva, zero visibilidade, e os mergulhos eram arriscados”, completou o comandante.
Apesar dos avanços, o paradeiro das crianças segue sendo um mistério. O comandante demonstrou confiança no trabalho conjunto das forças de segurança. “Creio que com toda a seriedade dos nossos colegas, com uma comissão de delegados, em breve teremos o desfecho desse caso”, finalizou.