"Meus filhos foram levados": mãe das crianças de Bacabal revela informação de investigador após 50 dias de angústia
Em entrevista, Clarice Cardoso conta que policial disse que Ágatha Isabelly, 6, e Allan Michael, 4, nunca estiveram sozinhos na mata e que primo foi "colocado" em cabana abandonada
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A mãe das crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão, fez uma revelação que impressiona e muda os rumores sobre o caso. Em entrevista, Clarice Cardoso contou que um investigador da Polícia Civil lhe revelou uma informação sigilosa: seus filhos, Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, foram levados por alguém e nunca estiveram perdidos na mata.
"O que já repassaram para mim, foram bem sinceros comigo e falaram: 'Clarice, seus filhos foram levados'. Eles falaram para mim que foram levados e que nunca estiveram naquela casa caída, que só passaram ali, mas com alguém. Ali só passaram para colocar o Kauã", relatou.
O desaparecimento completa 50 dias nesta segunda-feira (23). As duas crianças sumiram no dia 4 de janeiro junto com o primo Anderson Kauã, de oito anos, no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA). Kauã foi encontrado três dias depois por carroceiros, debilitado e sem roupas, em uma estrada no povoado Santa Rosa, a cerca de quatro quilômetros de distância . Desde então, não há qualquer sinal dos irmãos.
Clarice afirmou que desde o início seu "coração de mãe" dizia que as crianças não estavam perdidas. A informação do policial, segundo ela, confirmou essa intuição.
"Nunca estiveram naquela casa caída, se passaram foi com alguém. Ali o Kauã só foi colocado. O policial investigador me falou isso. Desde o começo meu coração de mãe, não se engana, eu falei: 'meus filhos foram levados!'. Porque se tivessem se perdido na mata não teriam ido tão longe, no fim da noite eles iam parar e ficar chorando, sem saber para onde ir. E eles me falaram: as crianças não chegariam nem a um terço do caminho daquele lugar onde o Kauã foi achado".
A chamada "casa caída" – uma cabana abandonada no meio da mata – foi apontada pelo primo Kauã como o último local onde esteve com os dois irmãos. Cães farejadores confirmaram a presença das três crianças no local . No entanto, segundo a nova informação, eles só teriam passado por ali acompanhados de alguém, e Kauã teria sido deixado no local propositalmente.
Anderson Kauã, de oito anos, foi encontrado após três dias desaparecido. Ele perdeu cerca de 10 quilos e estava com escoriações pelo corpo, mas exames periciais descartaram a hipótese de abuso sexual. Após receber alta do Hospital Geral de Bacabal, onde ficou internado por 14 dias, o menino levou os policiais até a "casa caída" e mostrou o caminho que percorreu com os primos.
Segundo seu relato, os três entraram na mata para buscar maracujá e acabaram se perdendo. Ao chegarem à cabana abandonada, ele teria saído para procurar ajuda e, quando voltou, os primos não estavam mais lá.
A versão de Kauã sempre sustentou a hipótese de que as crianças se perderam na floresta. No entanto, as declarações da mãe, embasadas pela informação sigilosa de um investigador, apontam para uma direção completamente diferente.
A Polícia Civil do Maranhão mantém o inquérito sob sigilo. O delegado-geral adjunto operacional, Ederson Martins, informou que o procedimento já ultrapassa 200 páginas, dezenas de pessoas foram ouvidas e diversas diligências foram realizadas, incluindo reconstituições e análises técnicas. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que os detalhes das investigações não são divulgados para não comprometer o trabalho policial.
A força-tarefa montada para encontrar as crianças é uma das maiores já vistas no estado. Mais de mil pessoas, entre agentes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Exército, Marinha e voluntários, já participaram das ações . Foram percorridos mais de 200 quilômetros de mata fechada e 19 quilômetros do Rio Mearim, com uso de drones, helicópteros, cães farejadores e sonar de varredura lateral.
A Marinha encerrou a fase de buscas aquáticas no fim de janeiro, após não encontrar nenhum vestígio das crianças no rio. As buscas terrestres continuam, com equipes revisitando áreas já percorridas na esperança de encontrar qualquer novo detalhe.
Clarice acredita que os policiais continuam na mata porque mantêm a esperança de que, assim como Kauã foi devolvido, seus filhos também possam ser.
"Alguém passou lá (na casa caída) só pra colocar o Kauã, o policial me disse isso. Do meu ponto de vista, eles nunca pararam com as buscas na floresta porque acham que assim como devolveram o Kauã, também podem devolver os meus".
Ela também afirmou que não acredita que as crianças estejam na comunidade, mas sim em outro local, e que não desconfia de ninguém da região, embora todas as pessoas indicadas por ela estejam sendo investigadas.
Em suas redes sociais, Clarice tem compartilhado a dor da espera. Aos 39 dias de desaparecimento, ela escreveu:
"39 dias sem saber o paradeiro dos meus filhos e como é difícil lidar com essa situação, porque ser forte cansa de um jeito que ninguém vê. Todo mundo diz 'aguenta mais um pouco', como se eu tivesse escolha, como se fosse simples continuar quando tudo dentro mim pede pausa".
Em outro desabafo, ela pediu forças: "Ah Senhor, por favor, cura minha dor! Tira esse peso do meu coração e da minha vida! Me ajude a suportar essa fase tão difícil! Sua filha está cansada meu Pai".
O primogênito de Clarice, de nove anos, também sofre com o desaparecimento dos irmãos. Segundo a mãe, o menino só sai de casa para as atividades de judô e fica o resto do tempo dentro de casa, sem vontade de brincar.