31 de julho de 2025
sob investigação

Desaparecimento de irmãos em Bacabal completa 47 dias sem solução; polícia mantém inquérito em aberto

Ágatha, 6, e Allan, 4, sumiram em janeiro no Quilombo de São Sebastião dos Pretos; primo de 8 anos foi encontrado três dias depois e ajudou a reconstruir rota das crianças na mata

Por Redação
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Irmãos estão desaparecidos desde o início de janeiro deste ano - Foto: Reprodução/Redes sociais

Quase 50 dias após o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, a angústia da família e da comunidade do Quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão, permanece sem respostas. As crianças sumiram no dia 4 de janeiro e, até agora, nenhuma informação concreta sobre o paradeiro delas foi divulgada pelas autoridades. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA) informou, em nota enviada neste sábado (21), que o inquérito que apura o caso ainda não foi concluído e que todas as linhas de investigação seguem em análise.

"A Polícia Civil constituiu uma comissão de investigação e segue com os trabalhos, não sendo possível, neste momento, apontar circunstâncias, responsabilidades ou conclusões definitivas. Novas informações serão divulgadas tão logo a apuração seja finalizada, em respeito à transparência e à correta condução do processo investigativo", afirmou a SSP por meio de nota. A comissão especial é composta por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, que conduzem as diligências e análises técnicas.

Desde o desaparecimento, uma extensa força-tarefa foi montada para localizar as crianças. Nos primeiros 20 dias, as equipes percorreram mais de 200 km em operações terrestres e aquáticas. A Marinha vasculhou 19 km do rio Mearim, sendo cinco deles de forma minuciosa com o uso de sonar side scan para varredura subaquática. Cães farejadores, drones com câmeras termais, mergulhadores, botes, lanchas e aeronaves do Centro Tático Aéreo (CTA) foram mobilizados nas buscas. Mais de mil pessoas participaram das ações, incluindo Polícia Civil, Polícia Militar, Batalhão de Choque, Força Estadual Integrada de Segurança Pública, Exército Brasileiro, Corpo de Bombeiros e voluntários. A base da força-tarefa permanece instalada no próprio quilombo onde as crianças moravam.

O dia do desaparecimento segue como o ponto de partida para as investigações. Ágatha e Allan estavam acompanhados do primo Anderson Kauan, de 8 anos, que foi encontrado três dias depois por carroceiros no povoado Santa Rosa. O menino, que passou 72 horas perdido na mata, recebeu autorização judicial para participar das buscas e ajudou a reconstruir o trajeto percorrido pelo grupo. Segundo seu relato, as crianças entraram em um caminho alternativo para evitar serem vistas por um tio e acabaram se perdendo. Eles buscavam um pé de maracujá próximo à casa do pai do menino, mas não encontraram frutas para comer. Não havia adultos acompanhando o trajeto.

Uma das pistas mais importantes surgiu a partir da descrição de Anderson sobre uma "casa caída", uma construção abandonada com objetos velhos no interior, onde o grupo teria se abrigado ao pé de uma árvore. Cães farejadores confirmaram o cheiro das três crianças no local, reforçando a credibilidade do relato. O menino contou que, extenuados, ele seguiu por um lado da choupana enquanto os primos seguiram por outro. A distância até o local, considerando os obstáculos naturais da região, pode chegar a 12 km.

Entre as ações já executadas pela comissão de investigação estão a reconstrução do trajeto do carroceiro que encontrou o primo das crianças, a reconstituição do último local onde os três menores estiveram juntos e a participação do menor nas diligências, mediante autorização judicial. Também foram solicitados relatórios de todas as forças envolvidas nas buscas, incluindo Corpo de Bombeiros, Marinha e Exército. Os documentos produzidos por equipes com cães farejadores e canoas serão anexados como prova material ao inquérito.

A partir de 23 de janeiro, as buscas passaram a ter foco maior na investigação policial, após a varredura completa das áreas inicialmente mapeadas. As equipes permanecem de prontidão para retomar operações caso surjam novos indícios. Enquanto isso, a comunidade local e os familiares das crianças vivem dias de espera e silêncio oficial. A SSP reforça que todas as diligências necessárias estão sendo realizadas para esclarecer o caso, mas, por enquanto, o que resta é a incerteza e a dor de quase 50 dias sem notícias de Ágatha e Allan.