31 de julho de 2025
TEMPO

2025 foi um dos três anos mais quentes já registrados no mundo, confirmam agências climáticas

Dados da OMM e NOAA apontam que planeta teve seu primeiro triênio acima do limite crítico de 1,5°C; cientistas alertam para impactos irreversíveis

Por Redação
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Temperatura média global já ultrapassou 1,5°C acima dos níveis pré-industriais - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O ano de 2025 consolidou-se como um dos três mais quentes desde o início dos registros climáticos globais, segundo dados consolidados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e confirmados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A informação, divulgada nesta quarta-feira (14), revela ainda um marco alarmante: o planeta acabou de experimentar seu primeiro período de três anos consecutivos com temperatura média acima de 1,5°C em relação à era pré-industrial — o limite crítico estabelecido pelo Acordo de Paris.

Dos oito conjuntos de dados internacionais analisados pela OMM, seis classificaram 2025 como o terceiro ano mais quente da história, enquanto dois o colocaram em segundo lugar. A NOAA também posicionou 2025 como o terceiro mais quente em sua série histórica, que começou em 1850. Todos os registros concordam que os últimos três anos (2023, 2024 e 2025) formam o triênio mais quente já documentado, sendo 2024 o ano recorde absoluto.

De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, a temperatura média global já ultrapassou 1,5°C acima dos níveis pré-industriais de forma sustentada neste ciclo trianual. “1,5°C não é um precipício, mas cada fração de grau é importante, especialmente para o agravamento de eventos climáticos extremos”, explicou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo.

Cientistas alertam que a ultrapassagem prolongada desse patamar — ainda que temporária — amplifica riscos como ondas de calor mais intensas, tempestades severas, incêndios florestais recordes (como os que atingiram a Europa em 2025) e inundações catastróficas, a exemplo das monções no Paquistão. A NOAA também registrou um recorded e calor armazenado nos oceanos em 2025, fator que intensifica tempestades e eleva o nível do mar.

Especialistas afirmam que a tendência de aquecimento deve continuar, com previsão de que 2026 esteja entre os cinco anos mais quentes. A superação estrutural do limite de 1,5°C antes de 2030 é considerada provável, dada a insuficiência na redução das emissões globais de gases de efeito estufa. “Estamos fadados a ultrapassá-lo. A escolha agora é como gerenciar a superação inevitável e suas consequências”, afirmou Carlo Buontempo, diretor do Copernicus.

O consenso científico sobre a origem humana das mudanças climáticas, no entanto, segue enfrentando resistência política. Recentemente, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, retirou o país de dezenas de agências da ONU, incluindo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em um movimento que fragiliza a coordenação global para enfrentar a crise.

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