31 de julho de 2025
DADOS

População em situação de rua no Brasil cresce 11,6% e chega a 365 mil pessoas, aponta estudo da UFMG

Sudeste concentra 61% do total; especialistas apontam precarização pós-pandemia, falta de políticas estruturais e custo de vida como causas do aumento. São Paulo lidera com mais de 150 mil pessoas

Por Redação
Publicado em
Estudo aponta mais 365 mil pessoas em situação de rua no Brasil - Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

O número de pessoas em situação de rua no Brasil aumentou 11,6% em um ano, passando de 327.925 em dezembro de 2023 para 365.822 no final de 2024, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), divulgado nesta quarta-feira (13). Os dados, baseados no Cadastro Único (CadÚnico), indicam um crescimento contínuo desde 2022, após uma queda temporária durante a pandemia.

A distribuição é marcadamente desigual. A Região Sudeste responde por 222.311 pessoas (61% do total), sendo o estado de São Paulo o epicentro do problema, com 150.958 pessoas vivendo nas ruas. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). O Nordeste tem a segunda maior concentração, com 54.801 pessoas. O Amapá é o estado com o menor número registrado: 292.

Pesquisadores do observatório apontam quatro fatores principais para o aumento:

  1. Fortalecimento do CadÚnico, que melhorou o registro dessa população;
  2. Ausência ou insuficiência de políticas públicas estruturais em moradia, trabalho e educação;
  3. Precarização das condições de vida após a pandemia;
  4. Emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina.

Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, destaca a pressão do custo de vida. “Como é que uma pessoa vai conseguir pagar aluguel, água, luz, alimentação e medicamentos com um ou dois salários mínimos? Ela não tem condições”, afirma. Ele também cita a exclusão do mercado de trabalho devido ao avanço tecnológico sem capacitação adequada.

A Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo informou que repassou R$ 633 milhões aos municípios desde o início da gestão, sendo R$ 145,6 milhões direcionados especificamente à população de rua, com ampliação de programas como o Bom Prato e o Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial.

Para Mendonça, a solução passa por tratar a questão como um problema de desemprego e falta de moradia, e não criar "guetos". “É preciso capacitação, enfrentamento ao preconceito e sensibilização dos empregadores”, defende.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ainda não se pronunciou sobre os dados.

Leia também