População em situação de rua no Brasil cresce 11,6% e chega a 365 mil pessoas, aponta estudo da UFMG
Sudeste concentra 61% do total; especialistas apontam precarização pós-pandemia, falta de políticas estruturais e custo de vida como causas do aumento. São Paulo lidera com mais de 150 mil pessoas
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O número de pessoas em situação de rua no Brasil aumentou 11,6% em um ano, passando de 327.925 em dezembro de 2023 para 365.822 no final de 2024, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), divulgado nesta quarta-feira (13). Os dados, baseados no Cadastro Único (CadÚnico), indicam um crescimento contínuo desde 2022, após uma queda temporária durante a pandemia.
A distribuição é marcadamente desigual. A Região Sudeste responde por 222.311 pessoas (61% do total), sendo o estado de São Paulo o epicentro do problema, com 150.958 pessoas vivendo nas ruas. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). O Nordeste tem a segunda maior concentração, com 54.801 pessoas. O Amapá é o estado com o menor número registrado: 292.
Pesquisadores do observatório apontam quatro fatores principais para o aumento:
- Fortalecimento do CadÚnico, que melhorou o registro dessa população;
- Ausência ou insuficiência de políticas públicas estruturais em moradia, trabalho e educação;
- Precarização das condições de vida após a pandemia;
- Emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina.
Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, destaca a pressão do custo de vida. “Como é que uma pessoa vai conseguir pagar aluguel, água, luz, alimentação e medicamentos com um ou dois salários mínimos? Ela não tem condições”, afirma. Ele também cita a exclusão do mercado de trabalho devido ao avanço tecnológico sem capacitação adequada.
A Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo informou que repassou R$ 633 milhões aos municípios desde o início da gestão, sendo R$ 145,6 milhões direcionados especificamente à população de rua, com ampliação de programas como o Bom Prato e o Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial.
Para Mendonça, a solução passa por tratar a questão como um problema de desemprego e falta de moradia, e não criar "guetos". “É preciso capacitação, enfrentamento ao preconceito e sensibilização dos empregadores”, defende.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ainda não se pronunciou sobre os dados.