31 de julho de 2025
DESCOBERTA CIENTÍFICA

Estudo brasileiro identifica HPV de alto risco em múmias com milhares de anos

Pesquisadores encontraram a cepa HPV16 em fósseis humanos e sugerem que o vírus acompanha a humanidade há mais de 50 mil anos

Por Redação
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O HPV16 é um subtipo de alto risco, transmitido sexualmente, que tem grande potencial de evoluir para câncer - Foto: Divulgação

Cientistas brasileiros identificaram a presença do papilomavírus humano tipo 16 (HPV16), um subtipo de alto risco associado ao câncer, em múmias congeladas com milhares de anos. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) a partir da análise de dados genômicos dos fósseis.

O estudo, publicado em versão pré-print na plataforma bioRxiv, detectou o vírus em dois achados históricos: Ötzi, o Homem de Gelo, que viveu há cerca de 5,3 mil anos, e o Homem de Ust’-Ishim, que viveu há aproximadamente 45 mil anos, na região da atual Sibéria.

De acordo com os pesquisadores, os resultados indicam que o HPV16 já estava associado aos humanos anatomicamente modernos muito antes das grandes migrações para fora da África, entre 50 mil e 60 mil anos atrás. “Isso sugere que os papilomavírus humanos oncogênicos não são patógenos recentes, mas companheiros de longa data dos seres humanos”, afirmou o pesquisador Marcelo Briones em entrevista ao portal Live Science.

Para chegar ao resultado, a equipe analisou mais de 5,7 bilhões de sequências genéticas coletadas dos fósseis. Após testar a presença de diversos tipos de HPV, a cepa HPV16 foi a que apresentou maior consistência nos dois casos.

A reconstrução do genoma viral mostrou que o vírus encontrado em Ötzi era semelhante ao subtipo HPV16A1, predominante na Europa, enquanto o identificado no Homem de Ust’-Ishim tinha relação com o subtipo HPV16A4, mais associado a populações euroasiáticas antigas.

Segundo os cientistas, embora a descoberta não comprove que o vírus já causava doenças na época, ela ajuda a reconstruir a linha do tempo da relação entre o HPV e os seres humanos. Até então, algumas teorias sugeriam que o vírus teria sido introduzido na nossa espécie por meio do cruzamento entre Homo sapiens e neandertais.

O HPV16 é um subtipo de alto risco, transmitido sexualmente, que tem grande potencial de evoluir para câncer, especialmente o de colo do útero, além de outros tipos de tumores.