Secretaria afasta 10 servidores após operação da PF que investigava desvio de recursos na saúde de Alagoas
Medida atinge assessores e colaboradores por 180 dias; secretário Gustavo Pontes já havia sido suspenso. Pousada de R$ 5,7 milhões em Porto de Pedras está entre os bens sequestrados
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A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) afastou temporariamente dez servidores nesta sexta-feira (19) como medida cautelar após a Operação Estágio IV da Polícia Federal, que investiga um esquema milionário de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no setor de saúde do estado. Os afastamentos, com duração de 180 dias, foram publicados no Diário Oficial do Estado e incluem desde assessores a colaboradores.
O primeiro a ser suspenso foi o secretário Gustavo Pontes de Miranda, afastado por determinação judicial na terça-feira (16). Agora, a lista inclui nomes como Luiz Dantas (assessor do gabinete), Lucas Mateus Barros Monteiro (assessor técnico), Luciano André Costa de Almeida (assessor especial), Yuri Amaral Almeida, Reinaldo Fernandes Júnior, Henrique Pereira de Lima, Aline Félix Santiago Pereira, Neurivan Calado Barbosa, Franklin Pedrosa de Carvalho e Raul Pereira de Lima. Para alguns, a Sesau não divulgou o cargo ocupado.
Em nota, a Sesau justificou que o afastamento visa "assegurar que a apuração ocorra de maneira completa, técnica, independente e sem qualquer tipo de interferência". Uma comissão especial composta pelo Gabinete Civil, Controladoria-Geral do Estado e Procuradoria-Geral do Estado acompanhará o caso.
A PF investiga favorecimento em contratos emergenciais da Sesau com empresas de material hospitalar e construção, além de desvios de recursos do SUS. Entre os bens adquiridos com o dinheiro desviado está uma pousada de alto padrão em Porto de Pedras (AL), avaliada em R$ 5,7 milhões, comprada em 2023 e registrada em nome do filho do secretário afastado, Gustavo Pontes de Miranda Oliveira Filho. O imóvel foi sequestrado pela PF.
Os valores também custearam viagens internacionais e gastos pessoais dos investigados. A operação continua em andamento, com a perspectiva de novas medidas e aprofundamento das investigações sobre o impacto do desvio na saúde pública alagoana.