PF aponta assessor como "braço operacional" de esquema de desvio de R$ 100 milhões na Saúde de Alagoas
Luiz Dantas, do gabinete da Sesau, é acusado de transportar dinheiro vivo para grupo que inclui secretário afastado e suposta amante
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O assessor do gabinete da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), Luiz Dantas, é apontado pela Polícia Federal como o "braço operacional" de um esquema de desvio de cerca de R$ 100 milhões de recursos da saúde pública estadual. As investigações, que integram a Operação Estágio IV, tiveram início após uma denúncia anônima que detalhou a movimentação de grandes quantias em dinheiro vivo entre os envolvidos.
De acordo com documentos obtidos pela TV Asa Branca, afiliada da Tv Globo em Alagoas, Dantas seria responsável pelo transporte de valores e execução de ordens do grupo criminoso, que teria como líder o secretário afastado Gustavo Pontes de Miranda. Outra nome citada é o da fisioterapeuta Andréia Araújo Cavalcante, apontada como suposta amante de Pontes e também responsável pelo transporte de dinheiro. Ela ocupa um cargo em comissão na Assembleia Legislativa e teria recebido um PIX de R$ 50 mil do médico Reinaldo Fernandes Júnior, sócio-administrador do Núcleo de Ortopedia e Traumatologia (NOT).
Dantas também é membro do Conselho Estadual de Comunicação Social (Consecom-AL), onde entrou como representante da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), já que é decano do curso de Jornalismo. O conselho é presidido pelo secretário de Estado da Comunicação, Wendel Palhares. Ele também ficou famoso nas redes sociais nas últimas semanas, ao ser flagrado impedindo vereadores de Maceió de acessar a sede da Sesau, quandos os parlamentares foram acompanhar famílias de crianças atípicas que cobram o restabelecimento do tratamento de equoterapia.
O NOT entrou para o programa federal Mais Saúde Especialidade em maio de 2023, após autorização do então secretário Gustavo Pontes, um mês depois de ele deixar a sociedade na empresa. A PF afirma que a clínica foi incluída sem apresentar toda a documentação exigida e segue atendendo em condições consideradas precárias.
A operação, que cumpriu 38 mandados de busca e apreensão em Alagoas, Brasília e Pernambuco, já apreendeu cerca de R$ 900 mil em dinheiro vivo, além de dólares, euros, joias e armas. O TRF-5 também determinou o sequestro de bens dos investigados, como veículos e imóveis de alto padrão.
O Governo de Alagoas informou que acatou a decisão judicial que afastou Pontes do cargo e nomeou Emmanuel Vitor Duarte como secretário interino. Uma comissão especial foi criada para acompanhar as investigações. Gustavo Pontes nega irregularidades e criticou a atuação da PF. As defesas dos demais investigados ainda não se manifestaram.