31 de julho de 2025
OPERAÇÃO ESTÁGIO IV

Denúncia anônima de dinheiro vivo iniciou operação da PF que aponta desvio de R$ 100 milhões da Saúde em Alagoas

Documentos obtidos pela TV Asa Branca apontam secretário afastado Gustavo Pontes de Miranda como líder de esquema; fisioterapeuta, suposta amante, teria recebido PIX de R$ 50 mil de médico investigado

Por Redação
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Clínica NOT foi um dos alvos da operação da PF em Alagoas - Foto: Polícia Federal/Divulgação

Documentos obtidos com exclusividade pela TV Asa Branca, retransmissora da TV Globo em Alagoas, revelam que uma denúncia anônima sobre grande movimentação de dinheiro vivo deu início à Operação Estágio IV da Polícia Federal, que investiga um esquema de desvio de aproximadamente R$ 100 milhões de verbas do SUS dentro da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) do governo Paulo Dantas (MDB).

Segundo os documentos, a PF aponta como líder do esquema o secretário Gustavo Pontes de Miranda, que foi nomeado pelo governador Paulo Dantas e afastado do cargo por 180 dias por determinação judicial. A investigação também identificou a fisioterapeuta Andreia Araújo Cavalcante, descrita como suposta amante de Pontes de Miranda e uma das beneficiárias do desvio.

Um PIX de R$ 50 mil direcionado a Andreia, feito pelo médico ortopedista Reinaldo Fernandes Júnior, sócio-administrador do Núcleo de Ortopedia e Traumatologia (NOT), chamou a atenção dos investigadores. A transferência coincidiu com o início dos repasses da Sesau ao NOT. Andreia ocupa um cargo em comissão na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) e, segundo a PF, mantém um padrão de vida incompatível com sua renda declarada, incluindo uma casa avaliada em mais de R$ 1,5 milhão.

A PF aponta que Gustavo Pontes e Reinaldo Fernandes eram sócios do NOT até um mês antes da clínica ingressar no programa federal Mais Saúde Especialidades. Já como secretário, Pontes teria autorizado a entrada da empresa no programa sem a documentação completa exigida. A empresa continua atendendo pelo programa, mas em condições consideradas precárias pelas investigações.

Apesar de não constar mais no CNPJ, o nome de Gustavo Pontes permanece listado como ortopedista no corpo clínico da NOT no site da clínica.

A reportagem tentou contato com os envolvidos, mas não obteve resposta até a publicação.

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