Secretário de Saúde de Alagoas foi afastado por decisão da Justiça e não do governo Paulo Dantas
Decisão judicial da operação Estágio IV tirou Gustavo Pontes do cargo por 180 dias; desvio na saúde de Alagoas passa de R$ 100 milhões
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O afastamento do secretário de Saúde de Alagoas, amplamente divulgado em nota oficial do governo como uma decisão do governador Paulo Dantas, foi, na verdade, uma determinação judicial obrigatória do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), cumprida no âmbito da Operação Estágio IV da Polícia Federal.
A informação consta na própria nota enviada à imprensa, que afirma que o governador "acatou imediatamente a determinação do afastamento". O texto, no entanto, deu destaque à ação do governador, criando a impressão inicial de uma iniciativa própria, e não do cumprimento de uma ordem judicial que integrava as medidas cautelares da operação.
O caso ganha contornos mais complexos com a confirmação de que a pousada de R$ 5,7 milhões em Porto de Pedras, sequestrada pela PF por ser suspeita de integrar o esquema de lavagem de dinheiro, pertence a Gustavo Pontes de Miranda Oliveira Filho, filho do secretário afastado Gustavo Pontes.
Em uma movimentação anterior à operação, o governador Paulo Dantas nomeou justamente Gustavo Filho para o cargo de superintendente de Pesca e Aquicultura da Secretaria de Agricultura (Seagri) no dia 5 de novembro de 2025, conforme decreto publicado no Diário Oficial do Estado.
A operação
A Operação Estágio IV investiga o desvio de quase R$ 100 milhões em contratos da Sesau e mais de R$ 18 milhões em ressarcimentos superfaturados do SUS. A ação cumpriu 38 mandados, apreendeu dinheiro, moeda estrangeira e armas, e determinou o sequestro de bens de alto valor.