Caso Orelha: novas revelações mostram ameaça a testemunha e contradições nos depoimentos
Reportagem revela que pais de suspeitos ameaçaram porteiro, que disse não ter visto agressão. Polícia descarta desafios na internet e aponta contradições nos depoimentos dos adolescentes
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Novas informações sobre a investigação da morte do cão Orelha, em Praia Brava (SC), foram reveladas em reportagem do Fantástico exibida neste domingo (1º). Os depoimentos inéditos lançam uma luz mais complexa sobre o caso, mostrando ameaças a uma testemunha e contradições nas falas dos adolescentes suspeitos, além de descartar a participação de um dos quatro jovens inicialmente investigados.
Um dos pontos mais graves revelados foi a tentativa de coação contra o porteiro do prédio onde os adolescentes se hospedavam. Segundo imagens de câmera de segurança, após discussões, pais de dois dos jovens e um tio de um deles foram à portaria para ameaçar o funcionário. Nas imagens, um dos responsáveis aparece com um objeto que aparentava ser uma arma de fogo (nenhuma arma foi encontrada posteriormente em busca policial).
O porteiro registrou a ameaça e os pais registraram um BO por conta da divulgação das fotos dos filhos. Três adultos foram indiciados por coação, e o caso tramita no Ministério Público. Eles negam as acusações.
O funcionário, peça-chave no início das suspeitas, deu um depoimento crucial: afirmou que os jovens já haviam tido desentendimentos por causa de baderna e horários, mas não viu a agressão ao animal. "Sobre a situação do cachorro, eu não posso acusar que foram eles. Eu digo que, se eu tivesse visto batendo no animal, eu diria que eram eles", declarou. Seu advogado reforçou que ele colaborou com tudo que sabia.
A Polícia Civil já ouviu mais de 20 pessoas e analisou câmeras de segurança. Até o momento:
- Não há imagens da agressão em si.
- Não há testemunhas oculares do crime.
- A polícia descartou que o ato tenha ligação com "desafios de grupo na internet".
- Foi identificada contradição nos depoimentos dos adolescentes.
- A participação de um dos quatro suspeitos já foi descartada.
Os adolescentes haviam viajado aos EUA em uma excursão escolar programada antes do caso e retornaram antecipadamente por causa das investigações. Um dos pais defendeu o filho publicamente, afirmando: "Se ele fez alguma coisa e estiver provado, ele tem que responder. Mas precisa ter prova".
Orelha, um cão comunitário muito querido na praia, foi brutalmente espancado no dia 4 de janeiro e submetido à eutanásia no dia 5 devido à gravidade dos ferimentos. O caso chocou o país e mobilizou artistas e ativistas, além de reacender o debate sobre os quase 13 casos de maus-tratos a animais registrados por dia no Brasil em 2025, segundo o CNJ. As investigações continuam.