Ministério Público investiga suposta fraude em concurso da Polícia Científica de Alagoas
Nomeação foi alvo de portaria; suspeita inclui prova feita por terceiros com CNH falsa e afastamento de delegado-geral
Publicado em
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) publicou no Diário Oficial do órgão nesta sexta-feira (8) que irá investigar possíveis irregularidades na nomeação de Anacleide Pereira Feitosa ao cargo de Auxiliar de Perícia da Polícia Científica do Estado (POLC/AL). A nomeação, publicada em 19 de janeiro de 2026 por meio do Decreto nº 106.349, é suspeita de integrar um esquema de fraude em concurso público que já levou ao afastamento do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, e do agente Eudson Oliveira Matos — marido da nomeada.
De acordo com a portaria assinada pelo promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca, da 17ª Promotoria de Justiça da Capital (Fazenda Pública Estadual), há indícios de que a prova objetiva do concurso (Edital nº 26 da POLC/AL, aplicado pelo CEBRASPE) não teria sido feita por Anacleide Feitosa, e sim por uma terceira pessoa, Mariana Abreu de Andrade Cirilo, mediante uso de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) falsificada com os dados fotográficos da candidata.
A investigação corre em paralelo na Polícia Federal em Alagoas (Processo nº 2026.03.22.144710.63) e no Ministério Público Federal da Paraíba, que já ofereceu ação penal (nº 0800032-08.2026.4.05.8205) contra envolvidos. O documento do MPAL menciona que Anacleide foi inicialmente aprovada em quarto lugar, mas caiu para a octogésima posição após o curso de formação — etapa eliminatória. Mesmo assim, ela foi nomeada.
Outro ponto grave: a investigação social da candidata apontou a existência de inquéritos policiais contra ela na Justiça Federal da Paraíba. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE/AL) foi consultada e opinou pela nomeação sob o argumento de “ausência de elementos conclusivos” e com base em notícias de imprensa. O MPAL, porém, entende que houve possível tráfico de influência envolvendo agente público de alta hierarquia.
A portaria também relata que, durante o período de férias da Perita-Geral, ela foi exonerada e reconduzida a funções técnicas, enquanto Anacleide Feitosa foi lotada no Instituto de Identificação. O documento cita ainda “condutas administrativas atípicas” , como convocação prioritária de candidatos com classificação inferior e instabilidade na chefia da instituição.
O procedimento preparatório (Portaria nº 08/2026) foi instaurado em 7 de maio de 2026. O promotor Coaracy Fonseca requisitou documentos à PGE/AL e solicitou apoio institucional da Polícia Federal em Alagoas. O inquérito civil poderá evoluir para ação civil pública por improbidade administrativa, além de repercussões criminais já em curso.