31 de julho de 2025
DESTAQUE NACIONAL

Acusado pela PF de comandar fraudes em concursos, Delegado-geral da PC de Alagoas é defendido pela categoria

Sindicato e associação dos delegados de Alagoas manifestaram “integral confiança” em Gustavo Xavier, enquanto a Polícia Federal aponta o chefe da polícia estadual como mentor de um esquema nacional de fraudes

Por Redação
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O governador Paulo Dantas e o Delegado-geral da Pc, Gustavo Xavier. - Foto: Arquivo/Ascom SSP-AL

O Sindicato dos Delegados de Polícia de Alagoas (SINDEPOL/AL) e a Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas (ADEPOL/AL) divulgaram uma nota conjunta em defesa do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier. O posicionamento ocorre após a repercussão de investigações da Polícia Federal que apontam o chefe da polícia alagoana como um dos líderes de uma organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos em todo o país.

Na nota, as entidades afirmam ter “integral confiança” no delegado e destacam sua trajetória profissional na segurança pública alagoana. Segundo o texto, Gustavo Xavier construiu uma carreira marcada por “integridade, liderança e rigor técnico”, com atuação destacada em operações especiais e no enfrentamento ao crime organizado. As entidades também ressaltam que, durante sua gestão, o estado teria alcançado “recordes históricos na redução da violência”.

Diante das acusações, SINDEPOL/AL e ADEPOL/AL cobram que qualquer investigação observe rigorosamente os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. “As reputações não podem ser antecipadamente destruídas”, diz trecho da nota, que conclui informando que ambas as instituições continuarão acompanhando o caso “com rigor” e confiantes de que os fatos serão esclarecidos pelas vias legais.

O que apontam as investigações da Polícia Federal


As acusações contra Gustavo Xavier ganharam projeção nacional após serem divulgadas no programa Fantástico, da Rede Globo. De acordo com a Polícia Federal, o delegado-geral atuava como mentor e beneficiário direto de um esquema criminoso que fraudava concursos em tribunais, universidades, bancos federais e no Concurso Nacional Unificado (CNU).

A investigação avançou com a delação premiada de Thyago José de Andrade, apontado como chefe da organização criminosa sediada em Patos (PB). Em seu depoimento, Thyago afirmou que foi coagido a fraudar concursos para pessoas indicadas por Gustavo Xavier, sob ameaça e pressão institucional. O juiz da 16ª Vara Federal da Paraíba, Manuel Maia de Vasconcelos Neto, destacou em sua decisão que o delegado-geral “passou a ter poder de comando na organização criminosa”.

A Polícia Federal identificou que o esquema teria garantido aprovações ilegais para pessoas próximas a Gustavo Xavier. Aially Soares, esposa do delegado, teria sido aprovada no Concurso Nacional Unificado (CNU) para auditora fiscal do trabalho com a ajuda do esquema. Mércio Xavier, irmão do delegado-geral, foi aprovado no concurso do Banco do Sul em 2023 também por meio das fraudes. Anacleide Ferreira Feitosa, esposa de Eudson Matos — apontado como “homem de confiança” de Gustavo Xavier — foi aprovada no concurso da Polícia Científica de Alagoas.

Segundo a PF, o esquema utilizava métodos como suborno de vigilantes, desligamento de câmeras, ponto eletrônico para transmissão de respostas, acesso antecipado a gabaritos e até a substituição de candidatos por “bonecos” que faziam as provas no lugar dos inscritos. Os valores cobrados variavam conforme o cargo, podendo chegar a R$ 500 mil para funções como auditor fiscal.

Na terça-feira (17), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência de Gustavo Xavier e em outros endereços ligados ao esquema em Alagoas, Paraíba e Pernambuco
. O delegado-geral foi alvo das diligências, mas não foi preso — o juiz entendeu que os indícios ainda não eram suficientes para a prisão preventiva.

Também é investigado o policial civil de Alagoas e vereador em Arapiraca, Ramon Isidoro Alves, apontado como intermediário no esquema
. Contra ele, a Justiça determinou quebra de sigilo telemático, interceptação telefônica e busca e apreensão.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) informou que só se pronunciará quando for formalmente notificada. O delegado-geral Gustavo Xavier e a Polícia Civil de Alagoas não responderam aos contatos da reportagem até a última atualização.

A defesa de Thyago José e Laís Giselly nega que eles façam parte de organização criminosa e afirma que são inocentes. Os demais investigados não se manifestaram.

Os envolvidos podem responder por crimes como fraude em concurso público, organização criminosa e concussão.

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