31 de julho de 2025
DENÚNCIAS NÃO PARAM

Delegado-geral de Alagoas é apontado por delator como mentor de esquema de fraudes em concursos

Gustavo Xavier teria descoberto o esquema criminoso durante investigação em Arapiraca, mas em vez de prender os envolvidos, passou a se beneficiar das fraudes, segundo a Polícia Federal

Por Redação
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Gustavo Xavier, delegad-geral da Polícia Civil de Alagoas. - Foto: Assessoria

Mais um capítulo da operação da Polícia Federal que acusa o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, de envolvimento com uma quadrilha que fraudava concursos foi revelado nesta terça-feira (24).

De acordo com a PF, Gustavo Xavier é citado em uma delação premiada como alguém que, ao descobrir a organização criminosa, não prendeu os envolvidos e, ao contrário, passou a se beneficiar da estrutura de fraudes.

O caso foi detalhado no programa Fantástico, da TV Globo, e envolve também parentes e aliados do delegado, que teriam sido aprovados irregularmente em concursos públicos com o auxílio do esquema.

O principal operador do esquema, segundo a PF, é Thyago José de Andrade, apontado como chefe da organização criminosa. Preso em uma das fases da operação, ele firmou um acordo de delação premiada e apresentou informações que mudaram o rumo das investigações.

Em seu depoimento, Thyago afirmou que Gustavo Xavier, quando ainda atuava como delegado em Arapiraca (AL), presidiu uma investigação contra ele. Segundo o relato, o delegado teria obtido um mandado de prisão, mas, em vez de cumpri-lo, exigiu que o investigado passasse a trabalhar para ele, fraudando concursos públicos em benefício de pessoas ligadas ao delegado.

A delação também aponta que as ordens para a realização das fraudes não eram transmitidas diretamente por Gustavo Xavier, mas por homens de confiança, entre eles Ramon Isidoro Soares Alves, investigador da Polícia Civil de Alagoas.

Segundo a investigação, parentes e amigos do delegado teriam sido beneficiados pelo esquema: Ayally Xavier, esposa de Gustavo Xavier, teria tentado ingressar na Polícia Civil de Alagoas por meio de concurso para delegada. Durante a prova, ela teria utilizado um ponto eletrônico para receber respostas. O equipamento, no entanto, não teria funcionado, e a candidata entregou a prova em branco. Outros familiares e aliados também teriam sido contemplados com aprovações irregulares em concursos públicos.

Segundo a Polícia Federal, o esquema de fraudes operava por meio de diferentes estratégias para garantir a aprovação de candidatos, incluindo “candidatos fantasmas”,pessoas pagas para fazer as provas no lugar dos inscritos; pontos eletrônicos, dispositivos usados para repasse de respostas durante os exames e o acesso antecipado a cadernos de questões, gabaritos e temas de redação, inclusive com violação de lacres de provas.

Os valores cobrados variavam conforme o cargo pretendido, podendo chegar a R$ 500 mil. O grupo atuava em seleções de alto nível em diversos estados, incluindo concursos para tribunais, bancos públicos e cargos federais.

Na última fase da operação, policiais federais cumpriram mandados de prisão em Alagoas, Paraíba e Pernambuco, incluindo a detenção de professores que, segundo a investigação, resolviam as provas para os candidatos.

O delegado-geral Gustavo Xavier foi alvo de busca e apreensão. O Fantástico procurou a Delegacia-Geral da Polícia Civil de Alagoas, em Maceió, para entrevistar o delegado, mas foi informado de que ele estava fora e sem previsão de retorno. A equipe também foi a endereços ligados a Ramon Isidoro Soares Alves, mas não o encontrou.

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