31 de julho de 2025
QUADRILHA

Investigação da PF que envolve delegado-geral da PC de Alagoas também acusa delegado de PE de fraudar concursos

Diogo Gonçalves Bem pagou quadrilha para fraudar o CNU e beneficiar a esposa, aponta investigação da Polícia Federal

Por Redação
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Delegado Diogo Gonçalves Bem e sua esposa, Lariça Saraiva Amando Alencar - Foto: Reprodução/Instagram

A investigação da Polícia Federal de uma quadrilha que fraudava concursos envolve outras figuras da segurança pública além do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas

O delegado da Polícia Civil de Pernambuco, Diogo Gonçalves Bem, pagou para que uma quadrilha fraudasse o Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 e beneficiasse sua esposa, Lariça Saraiva Amando Alencar, segundo investigação da Polícia Federal. A mulher foi aprovada em primeiro lugar para o cargo de auditora-fiscal no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e ocupa o cargo atualmente.

A informação consta em uma representação da PF à Justiça Federal na Paraíba, detalhada no programa Fantástico no último domingo (22). O documento, ao qual o g1 teve acesso, revela o funcionamento de um esquema milionário de fraudes em concursos públicos. A Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco informou que abriu uma investigação preliminar para apurar a conduta do servidor.

A suposta participação de Diogo Bem e Lariça Saraiva foi revelada a partir da delação premiada de Thyago José de Andrade, apontado como chefe da organização criminosa, e de sua companheira, Lais Giselly Nunes de Araújo.

Segundo a PF, Thyago não detalhou como ocorreu o repasse de respostas à esposa do delegado. Já Lais Giselly afirmou em depoimento que “uma esposa de um delegado também fraudou o concurso do CNU, sendo aprovada em primeiro lugar. Que o nome da candidata era Lariça”.

Além das citações dos delatores, a PF identificou uma discrepância de notas obtidas por Lariça na primeira e na segunda fase do concurso.

  • - Na primeira fase, ela teve a melhor nota nas provas objetiva e discursiva, o que indicaria um suposto repasse de informações.
  • - Já na segunda fase (curso de formação), obteve notas “relativamente baixas” nas duas provas realizadas.

Para a PF, essa diferença “indica certo despreparo e pode corroborar com a informação de fraude trazida por Thyago”. A corporação também aponta que o delegado pernambucano “pagou que sua esposa fosse beneficiada com a fraude do CNU” e, portanto, “financiou a fraude da esposa”.

O g1 entrou em contato com o delegado Diogo Bem e com a auditora Lariça Alencar, mas ambos não responderam até a última atualização. O Ministério do Trabalho e Emprego também foi procurado, mas não se manifestou.

A Polícia Civil de Pernambuco, instituição da qual Diogo Bem faz parte, afirmou que “não se pronuncia sobre investigações realizadas por outros órgãos”. Já a Corregedoria da SDS informou que iniciou uma investigação preliminar para verificar as informações e eventuais condutas irregulares do servidor.

A investigação da PF também aponta Gustavo Xavier do Nascimento, delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, como integrante do esquema. De acordo com a PF, Gustavo Xavier é citado em uma delação premiada como alguém que, ao descobrir a organização criminosa, não prendeu os envolvidos e, ao contrário, passou a se beneficiar da estrutura de fraudes.

Além de Gustavo Xavier, a investigação da PF também aponta Eudson Oliveira de Matos, policial civil e suposto braço direito do delegado-geral, Ramon Izidoro Soares Alves, policial civil e vereador em Arapiraca e Mércio Xavier Costa do Nascimento, irmão de Gustavo Xavier, que teria apresentado gabarito idêntico ao de outro investigado.

A Fundação Cesgranrio, responsável pelo CNU 2024, afirmou em nota que as investigações tratam da atuação de organizações criminosas externas e que a instituição, “assim como os próprios candidatos, são vítimas dessas tentativas de ataque, que são combatidas com rigor”.

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