31 de julho de 2025
CONGRESSO

Câmara aprova projeto que permite uso imediato de tornozeleira eletrônica contra agressores de mulheres

Medida protetiva poderá ser determinada por juiz ou até por delegado em cidades sem comarca; texto segue para o Senado

Por Redação
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Câmara aprova uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressor de mulher que permaneça em risco - Foto: Agência Câmara de Notícias

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (10) um projeto de lei que permite ao juiz determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica para agressores sempre que houver risco à mulher em situação de violência doméstica e familiar. A proposta, de autoria dos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS), foi aprovada com substitutivo da relatora, deputada Delegada Ione (Avante-MG), e segue agora para análise do Senado.

Pelo texto aprovado, a tornozeleira eletrônica passa a ser uma medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha. O juiz poderá determiná-la ao verificar risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher ou de seus dependentes.

Em localidades que não são sede de comarca – ou seja, onde não há juiz disponível –, a medida poderá ser aplicada diretamente pelo delegado de polícia. Nesse caso, o delegado deverá comunicar a decisão ao Ministério Público e ao juiz em até 24 horas, cabendo à autoridade judicial decidir se mantém ou não a medida protetiva.

Atualmente, nessas regiões, o afastamento imediato do lar é a única medida que o delegado pode adotar para proteger a vítima.

O projeto também prevê que, quando a tornozeleira for imposta ao agressor, a vítima deverá receber um dispositivo de segurança que alerte automaticamente sobre a aproximação do agressor. O alerta deve ser simultâneo para a mulher e para a unidade policial mais próxima sempre que o agressor romper o perímetro de exclusão fixado pela Justiça.

A imposição da tornozeleira será prioritária nos casos de descumprimento de medidas protetivas anteriores ou quando houver risco iminente à integridade da vítima.

Caso o juiz decida que a tornozeleira não deve mais ser usada, essa decisão precisará ser expressamente fundamentada, com a explicação clara dos motivos que levaram à revogação da medida.

Para ampliar o acesso ao monitoramento, o projeto aumenta de 5% para 6% a cota de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) destinada a ações de enfrentamento da violência contra a mulher, incluindo explicitamente o custeio da compra e manutenção dos equipamentos.

O texto também endurece a pena para quem descumprir medidas protetivas. O aumento passa a ser de 1/3 à metade da pena de reclusão (hoje de 2 a 5 anos) nos casos de violação das áreas de exclusão monitoradas ou de remoção, violação ou alteração do dispositivo sem autorização judicial.

As campanhas de enfrentamento da violência contra a mulher deverão incluir informações sobre procedimentos policiais, prevenção à revitimização, funcionamento das medidas protetivas e mecanismos de monitoração eletrônica.

A deputada Soraya Santos (PL-RJ) defendeu a aprovação da medida em Plenário. "Se este projeto for aplicado corretamente, ele vai salvar vidas", afirmou. Segundo ela, depois que o estado do Rio de Janeiro passou a vincular a concessão de medidas protetivas à colocação de tornozeleiras, as mortes de mulheres vítimas de violência foram zeradas.

A autora da proposta, deputada Fernanda Melchionna, também destacou a eficácia da medida. "Vimos no Rio Grande do Sul que essa medida protetiva salva vidas. Das 869 mulheres atendidas por essa medida, todas estão vivas", elogiou.

A relatora, deputada Delegada Ione, não esteve presente na sessão, mas pediu que o texto fosse votado devido à urgência do tema. "A cada dia que a gente perde de ter isso como lei, é vida que a gente deixa de salvar", disse Soraya Santos ao ler o relatório.

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