31 de julho de 2025
OPERAÇÃO CAMBOTA

PF prende "Careca do INSS" e empresário em nova fase da Operação Sem Desconto

Operação Cambota cumpre mandados em São Paulo e no DF contra suspeitos de fraudes que desviaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS

Por Redação
Publicado em
Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” - Foto: Reprodução/TV Senado

A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta sexta-feira (12) dois mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão na Operação Cambota, nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos fraudulentos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Entre os presos está Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquemae lobista do grupo. O empresário Maurício Camisotti também foi detido sob suspeita de integrar a organização criminosa.

As ordens judiciais, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foram executadas em endereços de São Paulo e do Distrito Federal. A investigação apura crimes de impedimento ou embaraço de investigação de organização criminosa, dilapidação e ocultação de patrimônio, além de obstrução da Justiça.

O escândalo envolve entidades que realizavam descontos indevidos em folhas de pagamento de beneficiários do INSS – um esquema que movimentou cerca de R$ 2 bilhões em apenas um ano. Antunes, que vem do ramo de marketing, é identificado pela PF como elo central entre as entidades suspeitas e servidores do INSS, facilitando o acesso a dados cadastrais sigilosos para fins de cobranças fraudulentas.

De acordo com a PF, empresas ligadas a Antunes, especialmente a Prospect Consultoria, atuavam como intermediárias financeiras e repassavam valores a servidores públicos em troca de favorecimento. Um ex-diretor de Benefícios do INSS teria recebido R$ 1,4 milhão, enquanto um procurador afastado do órgão foi beneficiado com R$ 7,5 milhões.

Documentos da operação indicam que pessoas físicas e jurídicas ligadas a Antunes movimentaram mais de R$ 53,5 milhões, sendo R$ 9,3 milhões direcionados a servidores do INSS e intermediários. Entre as entidades associadas a ele estão Ambec, CBPA, Asabasp, Cebap e Unaspub.

A operação conta com apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), e as investigações continuam em andamento.

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