31 de julho de 2025
aprovada na câmara

PEC do fim da escala 6x1 precisa de 49 votos para passar do Senado e pode sofrer pressão; entenda próximos passos

Projeto no Senado começará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ); pelo Regimento Interno, o colegiado dispõe de até 30 dias, a partir do despacho da Presidência

Por Redação
Publicado em
Projeto no Senado começará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ); pelo Regimento Interno, o colegiado dispõe de até 30 dias, a partir do despacho da Presidência - Foto: Pedro França/Agência Senado

Aprovada em dois turnos com ampla maioria na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho enfrenta agora um cenário mais complexo no Senado Federal. A velocidade e o destino do texto estarão sob a condução do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), em um ambiente onde a resistência do setor produtivo costuma ecoar com mais força.

O andamento da proposta também funcionará como um termômetro para a relação entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem pressa em concluir a votação, mas a relação entre os dois poderes ficou estremecida recentemente após a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), episódio atribuído por governistas à articulação do presidente do Senado.

Próxima parada: Comissão de Constituição e Justiça


O rito formal da PEC no Senado começará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Pelo Regimento Interno, o colegiado dispõe de até 30 dias, a partir do despacho da Presidência, para emitir um parecer. Esse prazo pode ser encurtado caso haja consenso político para que o relator apresente o voto antecipadamente. Por outro lado, senadores contrários à medida podem usar o período limite para prolongar as discussões.

A escolha do parlamentar que relatará a matéria será o primeiro indicativo real das intenções do Senado. Um perfil alinhado aos trabalhadores buscará blindar o texto vindo da Câmara, enquanto um nome mais próximo ao empresariado poderá propor emendas para suavizar as regras ou estender o período de transição.

O caminho até o plenário e o peso das emendas


Após passar pela CCJ, o parecer precisa ser publicado e aguardar cinco dias antes de entrar na pauta do Plenário. Nessa fase, o texto passará por cinco sessões deliberativas ordinárias de discussão. É o momento em que os senadores podem apresentar emendas de mérito, desde que alcancem o apoio mínimo de um terço da Casa (27 dos 81 senadores). Caso novas modificações sejam propostas, a matéria retorna para análise da CCJ.

Para ser definitivamente aprovada, a PEC precisa do voto favorável de pelo menos três quintos dos senadores (49 votos) em dois turnos de votação. Entre a primeira e a segunda rodada, exige-se um interstício de cinco dias úteis, acompanhado por mais três sessões de debate. Esse intervalo pode ser quebrado caso haja um acordo unânime entre as lideranças partidárias.

Se o Senado validar o texto da Câmara sem nenhuma alteração estrutural, a emenda constitucional será promulgada pelo Congresso. Contudo, qualquer modificação substancial no conteúdo obrigará o retorno da proposta para uma nova rodada de votação entre os deputados, adiando a decisão para o segundo semestre.

Pressão econômica versus apelo popular


A oposição à PEC deve se concentrar nos argumentos de entidades empresariais, que alertam para o risco de desequilíbrio financeiro, inflação e demissões. Os setores mais preocupados são os que operam em regime contínuo ou com margens estreitas, como o comércio, bares, restaurantes, saúde, segurança e transportes. O empresariado defende salvaguardas, como prazos de transição mais longos e flexibilização de regras para micro e pequenas empresas.

Em contrapartida, os defensores da proposta sustentam que a extinção da escala 6x1 é urgente para garantir a saúde mental dos trabalhadores, diminuir os índices de adoecimento ocupacional e assegurar o direito ao descanso e ao convívio familiar. O grupo governista pretende usar a votação expressiva conquistada na Câmara como combustível político, argumentando que o tema ganhou forte apelo popular e gerará desgaste eleitoral para os parlamentares que votarem contra.

Leia também