31 de julho de 2025
SAÚDE

Hantavírus Andes: o que médicos sabem sobre transmissão entre humanos

Embora o principal risco continue ligado ao contato com roedores silvestres, especialistas alertam para casos raros de transmissão entre pessoas em situações de convivência íntima

Por Redação
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Hantavírus Andes: principal riscoestá ligado ao contato com roedores silvestres - Foto: DepositPhotos/Imagem Ilustrativa

O hantavírus Andes voltou ao centro das atenções de médicos e pesquisadores por apresentar um comportamento incomum dentro da família dos hantavírus: a possibilidade, ainda que rara, de transmissão entre humanos. Apesar disso, especialistas reforçam que o principal risco de infecção continua associado ao contato com roedores silvestres infectados, especialmente em áreas rurais ou locais com baixa ventilação.

A doença permanece fortemente ligada à exposição a ambientes contaminados por fezes, urina ou saliva de ratos silvestres, mas o histórico de casos registrados na América do Sul faz com que o hantavírus Andes seja monitorado de forma diferenciada.

O que é o hantavírus Andes?

O hantavírus Andes pertence a um grupo viral responsável pela chamada síndrome cardiopulmonar por hantavírus, uma doença potencialmente grave que afeta principalmente os pulmões e o coração.

Os sintomas iniciais costumam ser semelhantes aos de uma gripe forte, com febre, dores no corpo, fadiga intensa e mal-estar. No entanto, em muitos casos, o quadro pode evoluir rapidamente para falta de ar, queda de pressão arterial e comprometimento respiratório severo.

A principal forma de contágio acontece quando pessoas entram em contato indireto com secreções deixadas por roedores infectados.

Na prática, o vírus pode ser inalado ao respirar partículas contaminadas presentes no ambiente, especialmente em locais fechados e sem ventilação adequada.

Entre as situações consideradas de maior risco estão:

  • - Limpeza de galpões, depósitos e celeiros fechados há muito tempo;
  • - Entrada em casas de campo, cabanas ou imóveis abandonados com presença de roedores;
  • - Trabalho agrícola em áreas com ninhos de ratos silvestres;
  • - Armazenamento inadequado de alimentos ou grãos.

Hantavírus Andes pode ser transmitido entre humanos?

Diferentemente de outros hantavírus conhecidos, o hantavírus Andes apresenta registros raros de transmissão de pessoa para pessoa.

Segundo estudos científicos, esse tipo de contágio foi observado principalmente entre familiares, parceiros íntimos e pessoas que compartilharam ambientes fechados por longos períodos com pacientes infectados.

Ainda assim, infectologistas destacam que os episódios documentados são incomuns e ocorrem em contextos muito específicos.

Ao contrário de doenças respiratórias de alta transmissibilidade, como gripe ou Covid-19, o hantavírus Andes não apresenta disseminação ampla em ambientes públicos, como escolas, transporte coletivo ou locais de trabalho.

Os estudos apontam que a transmissão humana costuma estar associada a fatores como:

  • - Contato próximo com secreções respiratórias de pessoas doentes;
  • - Beijos frequentes durante o período sintomático;
  • - Compartilhamento de cama ou quartos pouco ventilados;
  • - Convivência intensa em espaços fechados por tempo prolongado.

Especialistas ressaltam que contatos rápidos ou casuais não costumam representar risco significativo.

Hantavírus Andes se espalha pelo ar?

Médicos explicam que o vírus não se espalha pelo ar da mesma forma que influenza ou coronavírus.

Segundo infectologistas, não há evidência de que o hantavírus Andes seja transmitido facilmente apenas pela fala, respiração ou presença em um mesmo ambiente, especialmente quando existe ventilação adequada.

Os casos de transmissão documentados indicam que o contágio ocorre principalmente por contato direto com secreções e gotículas respiratórias em situações de extrema proximidade.

Além disso, até hoje não existem registros de surtos urbanos sustentados associados ao hantavírus Andes.

Como prevenir a infecção?

A principal recomendação médica continua sendo evitar contato com ambientes potencialmente contaminados por roedores.

Em locais fechados, abandonados ou com sinais da presença desses animais, profissionais de saúde orientam:

  • - Abrir portas e janelas antes da limpeza;
  • - Aguardar ventilação adequada do ambiente;
  • - Umedecer o chão e superfícies para evitar poeira contaminada;
  • - Utilizar luvas, máscaras e óculos de proteção;
  • - Evitar varrer ou levantar poeira seca.

Segundo especialistas, medidas simples de prevenção continuam sendo as mais eficazes para reduzir o risco de infecção.

Por que o hantavírus Andes preocupa especialistas?

O que diferencia o hantavírus Andes de outras variantes da família é justamente sua capacidade limitada, mas comprovada, de transmissão entre humanos.

A circulação do vírus permanece concentrada principalmente em países da América do Sul, como Chile e Argentina, onde autoridades sanitárias monitoram possíveis casos com atenção especial.

Apesar do alerta, especialistas reforçam que não há motivo para pânico. O conhecimento acumulado até o momento indica que o vírus exige circunstâncias muito específicas para circular entre pessoas e não apresenta comportamento semelhante ao de doenças respiratórias altamente contagiosas.

Para médicos, o foco da prevenção continua sendo o mesmo: evitar exposição a roedores silvestres e buscar atendimento médico imediato diante de sintomas associados após contato com áreas de risco.

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