31 de julho de 2025
CONDENAÇÃO

Servidor que aumentou o próprio salário e o de colegas é condenado à perda do cargo

Ex-chefe do RH alterou gratificações em sistema da Prefeitura de Cafeara sem autorização, usando documentos falsificados; pena de prisão foi substituída por prestação de serviços

Por Redação
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Servidor é condenado por fraudar salários e perde cargo em prefeitura - Foto: Prefeitura

Um servidor da Prefeitura de Cafeara, no norte do Paraná, foi condenado à perda do cargo público após ser responsabilizado por alterar ilegalmente o próprio salário e o de outros dois servidores. A sentença foi proferida pelo juiz André Luís Palhares Montenegro de Moraes, da Vara Criminal de Centenário do Sul, e ainda cabe recurso.

De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), Anderson Turozi, então chefe do Departamento de Recursos Humanos, utilizou a função para inserir informações falsas no sistema da prefeitura, elevando gratificações salariais sem autorização do prefeito e com o uso de portarias e decretos falsificados.

Segundo a investigação, os dois servidores beneficiados não participaram da fraude e só descobriram os lançamentos ao consultar os próprios holerites. Eles denunciaram o caso às autoridades e devolveram os valores recebidos.

O MP informou que Turozi admitiu a irregularidade e também ressarciu os valores, mas defendeu a perda do cargo por considerar que o servidor rompeu a confiança inerente à função pública.

Na decisão, o magistrado condenou o ex-chefe do RH por peculato, fixando pena de dois anos e dez meses de prisão. A sanção, no entanto, foi substituída por prestação de serviços à comunidade, além da perda do cargo público.

Fraude foi descoberta em 2025

O caso ocorreu em setembro de 2025. Conforme a investigação, Anderson Turozi publicou uma portaria sem a assinatura do prefeito Elton Fábio Lazaretti (PRD), autorizando o pagamento de gratificações que nunca haviam sido aprovadas.

Os lançamentos identificados no Portal da Transparência somavam R$ 567,09 para o próprio servidor e R$ 567,10 e R$ 1.417,35 para outros dois funcionários.

Em depoimento, uma das testemunhas afirmou que Turozi informou que havia feito a portaria por conta própria e insistiu para que ela fosse publicada antes do fechamento da folha de pagamento.

Outro servidor relatou que foi surpreendido ao encontrar o valor creditado na conta e ouviu do então chefe do RH que, caso houvesse problema, "depois a gente devolve e vai ficar tudo bem".

Na época, após tomar conhecimento do caso, a prefeitura afastou Anderson Turozi da função e instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos. Até a publicação da sentença, nem a defesa do servidor nem a Prefeitura de Cafeara haviam se manifestado sobre a condenação.