Americano evacuado de cruzeiro com surto de hantavírus testa positivo; autoridades reforçam monitoramento
Passageiro retirado do navio MV Hondius não apresenta sintomas, mas será encaminhado a unidade de biocontenção nos EUA; OMS afirma que risco à população continua baixo
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Um dos 17 passageiros americanos evacuados do navio de cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus, testou positivo para a doença após desembarcar nas Ilhas Canárias, na Espanha. Apesar do resultado, o passageiro não apresenta sintomas, segundo autoridades de saúde dos Estados Unidos.
O caso aumenta a atenção internacional em torno do surto que já deixou mortos e levou governos a mobilizarem operações especiais de evacuação e quarentena. O voo fretado com os americanos deixou Tenerife, maior ilha do arquipélago espanhol, e deve pousar em Omaha, no estado de Nebraska, nesta segunda-feira (11).
Ao chegarem aos Estados Unidos, os passageiros serão encaminhados inicialmente para a Universidade de Nebraska, instituição que abriga uma unidade federal especializada em quarentena e doenças infecciosas. O objetivo é avaliar o nível de exposição ao vírus e o potencial risco de transmissão.
Segundo Kayla Thomas, porta-voz do Centro Médico de Nebraska, o passageiro diagnosticado será levado para uma unidade de biocontenção, mesmo sem apresentar sintomas. Os demais passageiros permanecerão sob observação e monitoramento médico na Unidade Nacional de Quarentena.
Evacuação mobiliza esquema internacional
Horas antes, passageiros de diferentes nacionalidades começaram a retornar aos seus países em aeronaves militares e voos governamentais, após o navio atracar em Tenerife.
A operação chamou atenção pelo forte esquema sanitário. Passageiros foram escoltados até a costa utilizando equipamentos completos de proteção individual, incluindo máscaras, roupas especiais e protocolos rigorosos de descontaminação.
Os primeiros evacuados foram cidadãos espanhóis, enviados para Madri, onde passaram a ser monitorados em um hospital militar. Em seguida, um grupo de passageiros franceses desembarcou em Paris, acompanhado por equipes médicas especializadas.
Durante o voo para a França, um dos cinco passageiros apresentou sintomas suspeitos, informou o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu. Todos os ocupantes foram colocados em isolamento e passarão por exames laboratoriais.
O que se sabe sobre o surto de hantavírus no cruzeiro
Autoridades do Ministério da Saúde da Espanha, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da operadora do navio, Oceanwide Expeditions, afirmaram que nenhuma das mais de 140 pessoas a bordo apresentava sintomas no momento do desembarque.
Ainda assim, o cenário preocupa autoridades globais de saúde. Desde o início do surto:
- 3 pessoas morreram;
- 5 passageiros que deixaram o navio anteriormente foram diagnosticados com hantavírus;
- dezenas de passageiros seguem sob monitoramento em diferentes países.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o risco de disseminação para a população em geral permanece baixo.
“Esta não é outra Covid. O risco para a população é baixo. As pessoas não devem entrar em pânico”, afirmou Tedros.
Mesmo com a avaliação tranquilizadora da OMS, imagens registradas pela imprensa internacional mostram passageiros sendo pulverizados com desinfetante antes do embarque nos voos de evacuação.
Como o hantavírus é transmitido?
O hantavírus geralmente é transmitido pela inalação de partículas contaminadas por fezes, saliva ou urina de roedores infectados. Em geral, a transmissão entre humanos é considerada rara.
No entanto, o vírus identificado neste surto é a variante conhecida como vírus dos Andes, uma das poucas cepas associadas à possibilidade de transmissão entre pessoas em situações específicas.
Os sintomas podem surgir entre uma e oito semanas após a exposição, incluindo:
- febre;
- dores musculares;
- fadiga;
- falta de ar;
- complicações respiratórias graves em casos severos.
Diversos países já anunciaram medidas sanitárias para cidadãos evacuados do cruzeiro. No Reino Unido, passageiros deverão permanecer hospitalizados por até 72 horas antes de cumprir seis semanas de isolamento domiciliar.
Na Holanda, um voo de evacuação pousou em Eindhoven com passageiros de diferentes nacionalidades, incluindo Alemanha, Índia, Argentina, Bélgica, Portugal e Ucrânia.
Parte da tripulação permanece a bordo do navio, que seguirá para Roterdã, onde passará por um processo completo de desinfecção. O corpo de um passageiro que morreu durante a viagem também segue no cruzeiro.
Enquanto isso, autoridades britânicas enviaram médicos militares para Tristão da Cunha, território remoto onde um morador apresenta suspeita de infecção após desembarcar do navio no mês passado.