31 de julho de 2025
JUSTIÇA

Justiça retira acusação de tentativa de feminicídio contra homem que esganou ex-companheira

Juiz entendeu que não há provas suficientes de intenção de matar e retirou o caso do Tribunal do Júri; vítima diz temer pela própria vida e critica decisão

Por Redação
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Justiça retira acusação de tentativa de feminicídio contra homem que esganou ex-companheira - Foto: Reprodução

A Justiça do Distrito Federal desclassificou a acusação de tentativa de feminicídio contra um homem denunciado por agredir a ex-companheira durante uma discussão motivada pelo fim do relacionamento. Com a decisão, o processo deixa de tramitar no Tribunal do Júri e passa para a Vara de Violência Doméstica, onde o investigado responderá por crimes relacionados à violência contra a mulher.

Na decisão, o magistrado reconheceu que a vítima, a empresária e analista de TI Jéssica Cytrus, sofreu uma sequência de agressões, mas concluiu que as provas reunidas no processo não demonstram, de forma suficiente, que o acusado agiu com intenção de matá-la.

Além da mudança na tipificação do caso, o juiz revogou a medida de monitoramento eletrônico imposta ao investigado.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o homem teria esganado Jéssica, agredido a vítima com socos, um cabo de vassoura e uma chaira — instrumento utilizado para afiar facas —, além de tentar atropelá-la enquanto ela carregava o filho do casal no colo. A mulher conseguiu escapar e pedir ajuda.

Fundamentação da decisão

Ao analisar o caso, o magistrado afirmou que o medo relatado pela vítima é compatível com a violência sofrida, mas ressaltou que, para caracterizar tentativa de homicídio, é necessário comprovar que o agressor pretendia matar ou assumiu o risco de provocar a morte.

Entre os fundamentos da decisão estão um laudo do Instituto Médico Legal (IML), que apontou lesões provocadas por objeto contundente, sem indícios compatíveis com instrumento perfurante ou perfurocortante, e a ausência de sinais que, segundo o juiz, indiquem uma tentativa de asfixia com potencial letal.

O magistrado também levou em consideração que, após o episódio, vítima e acusado voltaram a manter contato por causa dos filhos, chegaram a conversar, se encontrar e até tentaram retomar o relacionamento.

Vítima critica entendimento

Em entrevista ao Metrópoles, Jéssica afirmou ter recebido a decisão com indignação e disse que teme pela própria segurança.

Segundo ela, o fato de ter sobrevivido ao ataque está sendo usado para reduzir a gravidade da violência sofrida.

A empresária também afirmou que o ex-companheiro teria dito anteriormente que responderia apenas por um crime de menor gravidade e que voltaria a procurá-la após o processo.

"Se algo acontecer comigo, ninguém poderá dizer que não sabia. Eu estou avisando. Uma mulher não precisa morrer para que sua palavra e seu medo sejam levados a sério", declarou.

Relembre o caso

As agressões ocorreram em outubro de 2024, depois que Jéssica comunicou ao então companheiro que pretendia encerrar o relacionamento.

Segundo a denúncia, o homem a atacou dentro da residência, apertou seu pescoço, desferiu socos e tentou golpeá-la com uma chaira. Em seguida, ainda teria tentado atropelá-la enquanto ela fugia com o filho pequeno nos braços.

A vítima também relatou que já havia sofrido outras agressões durante o relacionamento, incluindo episódios anteriores de enforcamento e violência física. O caso seguirá em tramitação na Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Águas Claras.