De rombo financeiro a risco sanitário, Hospital Chama acumula denúncias e vira alvo de nova ação do MPAL
De atrasos milionários nos repasses à denúncia de descarte irregular de resíduos, problemas na unidade se arrastam desde 2025
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Uma sequência de irregularidades financeiras, assistenciais e agora sanitárias transformou o Hospital Chama, em Arapiraca, em epicentro de uma crise que já afeta pacientes e que se arrasta desde 2025 impactando diretamente a saúde em grande parte de Alagoas.
Os primeiros sinais mais graves surgiram em outubro de 2025, quando o Ministério Público Federal (MPF) recomendou que o Governo de Alagoas regularizasse, com urgência, os repasses à unidade. À época, atrasos nos pagamentos já provocavam fuga de profissionais, interrupção de quimioterapias e risco concreto de paralisação no tratamento de pacientes com câncer.
Em dezembro do mesmo ano, a situação se agravou. O MPF acionou a Justiça apontando uma dívida superior a R$ 6,6 milhões, destacando que a falta de recursos comprometia o funcionamento da única unidade habilitada para atendimento oncológico de alta complexidade em 47 municípios. A crise foi associada, inclusive, a investigações da Operação Estágio IV, que apura desvios milionários na área da saúde estadual.
Já em janeiro de 2026, o passivo financeiro se mostrou ainda maior. O MPF apontou débitos superiores a R$ 25,5 milhões relacionados ao Programa Mais Saúde Especialidades, com impacto direto na oferta de serviços como neurocirurgia, ortopedia e cardiologia. O órgão também relatou evasão de profissionais e paralisação parcial de atendimentos.
Em fevereiro, um parecer do Conselho Estadual de Saúde reforçou o cenário crítico. O documento destacou falta de recursos em caixa, déficit de médicos e pressão crescente sobre a estrutura do hospital, que atende cerca de 1.800 pacientes por mês. O risco de colapso no atendimento oncológico passou a ser tratado como iminente.
Mesmo com sucessivas cobranças e tentativas de solução, o impasse persistiu ao longo dos meses, mantendo a unidade sob instabilidade financeira e operacional.
A crise ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (29), com o ingresso de uma Ação Civil Pública por parte do Ministério Público de Alagoas (MPAL). Desta vez, o foco são irregularidades ambientais e sanitárias.
Segundo a ação, o hospital estaria operando sem licença sanitária, além de realizar descarte irregular de resíduos hospitalares e lançamento de efluentes na rede de drenagem pluvial sem autorização. Também foram identificadas falhas no gerenciamento de resíduos e ausência de certificação adequada para destinação final de materiais.
O MPAL pede que a Justiça obrigue a unidade a se adequar às normas legais, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, além de exigir a regularização do funcionamento e permitir fiscalização contínua dos órgãos competentes.
A sucessão de problemas evidencia um cenário complexo enquanto enfrenta dificuldades financeiras históricas que colocam em risco atendimentos essenciais, o hospital agora também responde a questionamentos sobre sua operação sanitária e ambiental.
O caso expõe uma crise multifacetada que envolve gestão pública, financiamento da saúde e fiscalização — com impactos diretos sobre pacientes que dependem da unidade para tratamentos de alta complexidade.