31 de julho de 2025
PERNAMBUCO

Influenciadora presa por forjar sequestro mantinha relacionamento com suspeito, revela Polícia Civil

Operação “Cortina de Likes” desvendou farsa após contradições em depoimentos e ligação entre a influenciadora e um dos homens apontados como autores do falso crime

Por Redação
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Delegado Jorge Pinto contou os detalhes da farsa do sequestro da influenciadora - Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Pernambuco revelou nesta terça-feira (24) os detalhes da investigação que levou à prisão da influenciadora digital Monniky Daiany Alves de Fraga Caldas, acusada de forjar o próprio sequestro em abril de 2025. Segundo o delegado Jorge Pinto, do Grupo de Operações Especiais (GOE), a descoberta de um relacionamento prévio entre a influenciadora e um dos suspeitos, aliada a contradições nos depoimentos, foi determinante para desvendar a farsa.

O caso veio à tona há quase um ano, quando a influenciadora denunciou ter sido sequestrada ao chegar em casa, na Região Metropolitana do Recife. Segundo o relato, ela e o então companheiro, Lucas Vieira, foram abordados por homens armados, colocados à força em um veículo e levados para um suposto cativeiro. Horas depois, ambos foram liberados.

De acordo com o delegado Jorge Pinto, o ponto de virada da investigação foi a descoberta da ligação entre Monniky e Denner José da Silva, um dos apontados como autores da encenação.

“A gente descobriu que eles mantiveram um relacionamento prévio e, posteriormente à data dessa encenação, eles mantiveram contato, o que fez com que a gente detectasse a mentira na história que foi tramada”, afirmou o delegado.

Além disso, os depoimentos passaram a apresentar inconsistências. “Aquilo que a gente pensava se tratar de um sequestro real, na verdade, tudo passou de uma trama. Há uma forte convergência de indícios de que a própria vítima teria sido a mentora intelectual”, disse.

A polícia afirmou que o cruzamento de informações e provas técnicas reforçou a suspeita. “Além das contradições, tivemos ferramentas que nos direcionaram para o descobrimento da farsa”, completou.

As investigações indicam que o falso sequestro seguiu um roteiro para parecer real:

  • A influenciadora e o companheiro foram abordados em 21 de abril de 2025 por pelo menos três homens em um veículo clonado, na porta da residência dela.
  • Eles foram levados para uma área de mata, onde permaneceram por um curto período, apenas para dar veracidade à história.
  • O companheiro, sem ter conhecimento da encenação, chegou a ser agredido e teve pertences roubados.

Enquanto a trama acontecia, a mãe da influenciadora recebia ligações e áudios com ameaças, sendo induzida a realizar transferências via Pix para uma conta indicada pelos suspeitos. Essa conta estava vinculada a um investigado no estado de São Paulo, alvo de mandado de busca e apreensão.

“Embora não exista extorsão mediante sequestro, o crime de extorsão está configurado”, explicou Jorge Pinto.

Na manhã desta terça (24), a Polícia Civil deflagrou a operação “Cortina de Likes”, que cumpriu dois mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão, incluindo diligência no estado de São Paulo.

  • A influenciadora foi presa em casa, no município de Igarassu, no Grande Recife.
  • Denner José da Silva, apontado como coautor da trama, já estava detido no Presídio de Igarassu por outro crime.
  • Um terceiro envolvido, Caio Barbosa, responsável por dirigir o carro utilizado na ação, foi assassinado dias antes do cumprimento dos mandados. A polícia informou que o homicídio não tem relação direta com o caso investigado.

A polícia ainda apura a participação de um quarto indivíduo, que não foi identificado até o momento, mas que teria atuado diretamente na abordagem das vítimas.

De acordo com os investigadores, a principal motivação para a encenação seria o ganho de visibilidade nas redes sociais. A influenciadora estaria em baixa e teria tentado alavancar engajamento com a repercussão do caso, inclusive concedendo entrevistas durante o período em que alegava ter sido vítima.

Para a Polícia Civil, o episódio serve como alerta. “É importante que isso tenha um efeito de persuasão negativa, para que as pessoas não voltem a cometer esse tipo de conduta”, afirmou Clei Anderson, adjunto do GOE.

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