31 de julho de 2025
ECONOMIA

Banco Central reduz juros pela terceira vez seguida e Selic cai para 14,25% ao ano

Copom corta taxa básica em 0,25 ponto percentual, mas alerta para cenário de incertezas e pressão inflacionária

Por Redação
Publicado em
Notas de dinheiro - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central do Brasil reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros da economia pela terceira reunião consecutiva. Com o novo corte de 0,25 ponto percentual, a Selic passou de 14,50% para 14,25% ao ano.

A decisão foi anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve o ciclo de flexibilização iniciado em março. Antes disso, a taxa havia atingido 15% ao ano em junho de 2025, após uma sequência de aumentos adotados para conter a inflação.

Apesar da redução, o Banco Central sinalizou cautela para os próximos meses. No comunicado divulgado após a reunião, o Copom avaliou que o cenário inflacionário apresentou deterioração desde o último encontro, realizado em abril.

Segundo o colegiado, tanto o comportamento recente dos preços quanto as projeções futuras indicam um ambiente que exige atenção da autoridade monetária. O documento destaca ainda que o aumento das incertezas, tanto no cenário interno quanto externo, demanda prudência na condução da política de juros.

No exterior, o foco dos mercados esteve voltado para a decisão do Federal Reserve. A instituição manteve os juros americanos na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano, mas indicou a possibilidade de novas altas em 2026.

As sinalizações do Fed e do Banco Central repercutiram nos mercados financeiros. As bolsas de valores do Brasil e dos Estados Unidos encerraram o dia em queda, enquanto o dólar avançou e fechou cotado a R$ 5,10.

Para analistas, fatores como o aquecimento do mercado de trabalho, o crescimento da renda e as preocupações com as contas públicas continuam limitando o espaço para cortes mais expressivos na taxa de juros brasileira.

Segundo o economista Daniel Telles, sócio da Valor Investimentos, o cenário fiscal segue sendo um dos principais pontos de atenção para investidores e para a política monetária. Na avaliação dele, a trajetória da dívida pública e as incertezas sobre o equilíbrio das contas do governo mantêm a pressão por juros elevados no país.