Dom Silver: influenciador que matou ex e tirou a própria vida foi preso por agredir vítima dois meses antes, mas solto no mesmo dia
Empresário de 48 anos pagou fiança de R$ 16 mil em janeiro e foi liberado horas depois; estudante de medicina de 22 anos tinha medida protetiva e seria ouvida pela polícia na terça-feira (24), dois dias após ser morta
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O empresário e influenciador digital Silvio Souza Silva, de 48 anos, conhecido como Dom Silver nas redes sociais, cometeu feminicídio contra a ex-companheira Isabel Cristina Oliveira dos Santos, de 22 anos, e em seguida tirou a própria vida no último domingo (22). O crime aconteceu dentro de um apartamento no condomínio Le Parc, no bairro da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife.
O g1 teve acesso a dois boletins de ocorrência que mostram que o caso poderia ter sido evitado. Em janeiro deste ano, Dom Silver já havia sido preso em flagrante por agredir e ameaçar a mesma vítima. No entanto, ele pagou fiança de R$ 16.210 e foi liberado poucas horas depois, ainda no mesmo dia.
Isabel e Silvio mantiveram um relacionamento de seis anos, que começou quando ela tinha apenas 16 anos e ele, 42. O casal morou junto por dois anos, mas após a separação, o empresário não aceitava o fim da relação.
Em janeiro de 2026, ele apareceu na porta do apartamento da vítima dizendo que havia tomado remédios e iria morrer ali se ela não o recebesse. Após ela abrir a porta, ele pediu que reatassem e, diante da recusa, a agrediu com empurrões e puxões de cabelo, além de fazer ameaças. Uma amiga de Isabel impediu que as agressões continuassem, e a polícia foi acionada. Ele foi preso em flagrante, mas liberado após pagar fiança. Na ocasião, Isabel não solicitou medida protetiva.
Em fevereiro, ela voltou à delegacia para registrar novas ocorrências. Dessa vez, relatou que ele a seguia, fazia transferências via Pix com mensagens de texto, já que estava bloqueado nas redes sociais, e que em outubro de 2025 ele a ameaçou de morte pelo WhatsApp. Em novembro, ele teria arrombado a porta dos fundos do apartamento dela. Nesse boletim, Isabel pediu medida protetiva de urgência e tinha agendado um retorno à Delegacia da Mulher para esta terça-feira (24) — dois dias após ser assassinada.
Segundo o boletim de ocorrência do feminicídio, parentes da vítima relataram que os desentendimentos entre o ex-casal eram frequentes. No domingo (22), houve uma discussão entre os dois. Silvio deixou o condomínio e depois retornou, quando ficou sozinho com Isabel no apartamento.
Os tiros foram disparados por volta das 22h, com um revólver calibre 38. Isabel foi baleada na cabeça e morreu no local. Silvio também apresentava ferimentos provocados por disparos. A arma e as munições foram apreendidas.
As primeiras pessoas a entrarem no apartamento após o crime foram a irmã de Isabel, a namorada dela e a filha do ex-casal, de apenas 3 anos.
O que diz o condomínio
Em nota, a administração do residencial Le Parc informou que ambos tinham contrato de locação vigente e cadastros atualizados para acessar o imóvel. O condomínio afirmou não ter conhecimento sobre a existência de medida protetiva ou qualquer restrição judicial que impedisse o acesso de Silvio, e que não recebeu solicitação de bloqueio por parte dos envolvidos ou de autoridades.
Isabel Cristina Oliveira dos Santos cursava o 4º período de medicina na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Silvio Souza Silva era diretor-geral da empresa Aluvid Esquadrias de Alumínio, em Recife, e também atuava como cantor de brega romântico com o nome artístico Dom Silver, acumulando mais de 600 mil seguidores nas redes sociais.
Em Pernambuco, mulheres em situação de violência podem buscar ajuda nos seguintes canais:
- Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: funciona 24 horas, inclusive fins de semana e feriados;
- Polícia Militar – 190: para crimes em andamento;
- Disque-Denúncia da Polícia Civil: (81) 3421-9595;
- Ministério Público de Pernambuco: 0800.281.9455 (segunda a sexta, das 12h às 18h);
- Ouvidoria da Mulher: 0800.281.8187;
- Plantão WhatsApp: (81) 99488-6138, com funcionamento 24 horas.
No Recife, há centros de referência e Salas da Mulher em unidades do Compaz, onde vítimas recebem acolhimento, atendimento multidisciplinar e orientações.