31 de julho de 2025
MUNDO

Guerra no Golfo: ataques de Israel e Irã ao maior campo de gás do mundo elevam preços da energia

EUA ameaçam “destruir massivamente” instalação iraniana se Teerã atacar aliados; preço do gás natural dispara 25% e petróleo ultrapassa US$ 113 o barril

Por Redação
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Vista de parte do campo de gás South Pars em Asaluyeh, no litoral iraniano do Golfo Pérsico, a 1,4 mil km ao sul de Teerã - Foto: Reprodução/Getty Images / BBC News Brasil

A escalada da guerra entre Israel e Irã atingiu um novo patamar nesta semana, com ataques diretos às instalações do maior campo de gás natural do mundo, compartilhado por Irã e Catar. O conflito já provocou disparada nos preços da energia e acendeu o alerta global sobre o abastecimento de gás natural liquefeito (GNL).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou “destruir massivamente” o campo iraniano de South Pars caso o Irã ataque novamente as instalações energéticas do Catar. A advertência veio um dia depois de Israel atacar South Pars e o Irã retaliar com mísseis contra o complexo de Ras Laffan, no Catar, causando “danos consideráveis”.

O campo de gás compartilhado por Irã e Catar

O campo de South Pars/North Dome é a maior reserva de gás natural do planeta. Localizada em alto mar no Golfo Pérsico, a estrutura de 9,7 mil km² é dividida por uma fronteira marítima e política:

  • South Pars (3,7 mil km²): parte iraniana, operada pela Petropars;
  • North Dome (6 mil km²): parte catari, responsável por cerca de 20% da produção mundial de GNL.

Descoberto em 1971, o campo transformou o Catar no maior exportador mundial de gás natural liquefeito. Juntos, os dois lados contêm cerca de 50 trilhões de metros cúbicos de gás utilizável — volume suficiente para abastecer o mundo por 13 anos.

A importância estratégica de Ras Laffan

A cidade industrial de Ras Laffan, no nordeste do Catar, abriga a maior usina de processamento de GNL do planeta. Antes do início da guerra, era responsável por cerca de 20% da produção mundial de GNL.

Na quarta (18/3) e quinta-feira (19/3), o Irã lançou dois ataques contra o complexo em retaliação ao ataque israelense a South Pars. A estatal QatarEnergy confirmou “danos consideráveis” e a produção foi suspensa. Não houve feridos, mas o fechamento da usina foi suficiente para provocar o caos nos mercados globais de energia.

Impacto nos mercados

Após os ataques, os preços do gás natural nos mercados europeus dispararam cerca de 25% na quinta-feira (19/3), atingindo os níveis mais altos em mais de três anos. O preço do petróleo também subiu cerca de 5%, ultrapassando US$ 113 por barril.

O impacto foi particularmente grave na Ásia e na Europa, regiões altamente dependentes de gás importado para geração de energia.

Reações políticas e militares

Donald Trump afirmou em sua rede Truth Social que os Estados Unidos “não sabiam de nada sobre este ataque” e prometeu que “Israel não realizará novos ataques” a South Pars, a menos que o Irã atinja instalações energéticas do Catar. Caso isso ocorra, Trump afirmou que os EUA “destruirão massivamente” o campo iraniano.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou que o ataque a South Pars foi realizado sem participação direta dos EUA. “Israel agiu sozinho”, disse. Segundo Netanyahu, Trump pediu a suspensão de novos ataques — e Israel está atendendo ao pedido.

Netanyahu afirmou que a operação conduzida por EUA e Israel tem três objetivos: eliminar a ameaça nuclear iraniana, eliminar a ameaça de mísseis balísticos e criar condições para que os iranianos “alcancem sua liberdade”. Ele disse que o conflito vai durar “o tempo que for necessário”.

O Irã, por sua vez, prometeu atacar a infraestrutura energética dos aliados dos EUA e de Israel no Golfo Pérsico até “sua total destruição” caso suas próprias instalações sejam novamente atacadas. “Se isso se repetir, os próximos ataques não cessarão até a sua total destruição”, afirmou um porta-voz do Comando Central Militar iraniano.

O que esperar daqui para frente

A empresa de pesquisa energética Wood Mackenzie afirma que os ataques a Ras Laffan “transformam radicalmente o panorama mundial do GNL”. As expectativas de retomada do abastecimento até meados de 2026 agora parecem “cada vez mais improváveis”.

O ex-diretor de estratégias da British Petroleum, Nick Butler, avalia que Trump “abriu uma caixa de Pandora e perdeu o controle do que acontece no dia a dia da região”. Para ele, os ataques “quase com total certeza reduzirão o abastecimento de GNL para o mercado mundial”.

O editor de matérias-primas da revista The Economist, Matthieu Favas, destaca que a interrupção pode durar meses e que as instalações afetadas abastecem 20% do GNL consumido no mundo. Apesar da disparada, ele observa que os preços ainda estão distantes dos níveis máximos registrados após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

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