31 de julho de 2025

Ataque do Irã à refinaria da Aramco eleva tensão no Golfo; Trump critica novo líder supremo

Guarda Revolucionária atingiu instalação estratégica em Yanbu, mas danos foram mínimos. Ação simultânea mirou Catar e Kuwait; preço do petróleo dispara. Mojtaba Khamenei rejeita negociação e promete vingança

Por Redação
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Refinaria SAMREF da Saudi Aramco-Exxon em Yanbu, na Arábia Saudita, é alvo de ataque, diz fonte. - Foto: Reprodução/Reuters

A refinaria SAMREF, uma joint venture da petrolífera estatal saudita Saudi Aramco com a americana ExxonMobil, foi alvo de um ataque aéreo do Irã na manhã desta quinta-feira (19) no porto de Yanbu, na Arábia Saudita. Uma fonte do setor afirmou que o impacto na estrutura foi mínimo, mas a ação representa uma perigosa escalada na guerra que já atinge diversos países do Golfo.

O ataque ocorreu horas depois de a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã emitir um alerta de evacuação para diversas instalações petrolíferas na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, incluindo a própria SAMREF. Simultaneamente, duas refinarias de petróleo foram atingidas no Kuwait (Mina Al-Ahmadi e Mina Abdullah) e instalações de gás no Catar, na cidade industrial de Ras Laffan, sofreram "incêndios consideráveis".

O porto de Yanbu, no Mar Vermelho, tornou-se estrategicamente vital após o Irã efetivamente fechar o Estreito de Ormuz, por onde normalmente flui um quinto de todo o petróleo consumido no mundo . A instabilidade já fez o preço do barril do petróleo Brent saltar para US$ 114, um novo pico desde o início do conflito.

A escalada da guerra

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em Teerã. Em retaliação, o regime dos aiatolás tem atacado países da região que abrigam interesses americanos e israelenses. Mais de 1.200 civis já morreram no Irã, e os EUA registram ao menos sete mortes de soldados em ação direta.

Após a morte de seu pai, um conselho de aiatolás elegeu Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo. Diferente de seu antecessor, Mojtaba é conhecido por seu perfil linha-dura e recluso, e já deixou clara sua posição: não há espaço para negociação.

Na quarta-feira (18), Mojtaba rejeitou propostas de cessar-fogo e afirmou que Teerã só aceitará falar em paz quando "os Estados Unidos e Israel se ajoelhem, aceitem a derrota e paguem indenizações". Em mensagem nas redes sociais, ele postou a foto de um bebê morto nos ataques e declarou que "não renunciaremos à vingança".

Reação de Trump e pressão por aliados

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou descontentamento com a escolha de Mojtaba Khamenei, classificando-a como um "grande erro" e um líder "inaceitável". Internamente, Trump pressiona aliados europeus a ampliar a atuação naval para ajudar a reabrir a rota do petróleo no Golfo.

A União Europeia, no entanto, tenta evitar um envolvimento direto, e a proposta de estender a missão Aspides do Mar Vermelho para o Estreito de Ormuz não avançou por falta de "apetite político" de países como Alemanha, Espanha e Itália.

Enquanto isso, Israel mantém quatro divisões do Exército na fronteira com o Líbano, preparando-se para uma possível ação terrestre em larga escala contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. A guerra, que já dura três semanas, não dá sinais de arrefecimento e se expande a cada dia.