Em giro de 180 graus, seis países se dispõem a ajudar na abertura do Estreito de Ormuz após escalada do conflito
França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão mudam posição e condenam ataques do Irã a infraestruturas civis; preço do petróleo dispara com temor de desabastecimento global
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Os governos da França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e do Japão publicaram uma declaração conjunta nesta quinta-feira (19) manifestando disposição para contribuir com os esforços de abertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã desde o início da guerra contra Estados Unidos e Israel. O comunicado representa uma reviravolta na posição desses países, que quatro dias antes haviam se negado a participar das operações lideradas por Washington e Tel Aviv na região.
"Manifestamos nossa disposição em contribuir com os esforços necessários para garantir a passagem segura pelo Estreito. Saudamos o compromisso das nações que estão se empenhando no planejamento preparatório", diz o comunicado conjunto, que também condena os recentes ataques do Irã contra embarcações no Golfo e contra infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás.
A declaração ocorre depois de uma escalada significativa do conflito. Na quarta-feira (18), Israel bombardeou o campo de gás South Pars, no Irã – o maior depósito de gás natural do mundo, compartilhado com o Catar – levando Teerã a retaliar contra instalações energéticas no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos . O complexo industrial de Ras Laffan, principal polo de exportação de gás natural liquefeito do Catar, sofreu "danos consideráveis" segundo a estatal QatarEnergy, enquanto a refinaria Samref, na Arábia Saudita, foi atingida por um drone.
A mudança de posição dos países europeus e do Japão irritou o presidente americano Donald Trump, que na terça-feira classificou a resistência inicial como "um erro muito estúpido". O republicano havia dito que não precisaria de "ninguém" para liberar a área após a negativa . O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, havia rejeitado a possibilidade de envolvimento afirmando que "esta não é a nossa guerra", posição semelhante à do presidente francês Emmanuel Macron.
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde transitam cerca de 20% de todo o petróleo mundial e 25% do gás natural liquefeito, tem abalado os mercados financeiros e elevado o preço do barril no mercado global. O Brent chegou a ser negociado acima dos US$ 100, com a Agência Internacional de Energia classificando a interrupção como a maior da história do mercado global de petróleo.
Em sua nota, os seis países exigem que o Irã "cesse imediatamente suas ameaças, o lançamento de minas, os ataques com drones e mísseis e outras tentativas de bloquear o Estreito à navegação comercial", afirmando que a liberdade de navegação é um princípio do direito internacional. "Os efeitos das ações do Irã serão sentidos por pessoas em todas as partes do mundo, especialmente pelas mais vulneráveis", completa a nota.