31 de julho de 2025
MUNDO

Trump pede US$ 200 bilhões ao Congresso para financiar guerra contra o Irã e admite: "Queremos preservar munições"

Pentágono busca maior aporte para conflito desde a Guerra do Iraque; valor é quatro vezes superior ao estimado inicialmente e já enfrenta resistência de democratas e republicanos

Por Redação
Publicado em
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Flórida na segunda-feira (9) - Foto: Reprodução/Roberto Schmidt/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta quinta-feira (19) que o Pentágono está buscando um financiamento adicional de US$ 200 bilhões para sustentar a guerra contra o Irã. Em pronunciamento no Salão Oval, Trump classificou o valor como um "pequeno preço a pagar" para garantir que as forças armadas tenham tudo o que precisam, mas fez questão de ressaltar que o pedido inclui recursos para muito além do conflito atual.

"Queremos estar na melhor forma, a melhor forma em que já estivemos. É um pequeno preço a pagar para garantir que permaneçamos firmes", declarou o presidente, sem oferecer detalhes específicos sobre a destinação dos recursos, limitando-se a dizer que quer garantir que o Exército tenha "grandes quantidades de munições". Trump negou que os EUA estejam com falta de armamentos, argumentando que a administração está sendo "criteriosa" com os gastos. "Estamos pedindo por muitas razões, além do que estamos falando sobre o Irã. Munições em particular, as mais sofisticadas, temos muitas, mas estamos preservando-as", afirmou.

Pedido bilionário e reações no Congresso

O valor de US$ 200 bilhões é extraordinariamente alto e representa quase um quarto do orçamento anual total do Pentágono, que já ultrapassa US$ 800 bilhões. O pedido chega em um momento delicado, com o Congresso americano demonstrando crescente desconforto com a condução do conflito, que não foi formalmente autorizado pelos legisladores.

A senadora republicana Susan Collins, presidente do poderoso Comitê de Apropriações, classificou o montante como "consideravelmente maior do que eu imaginava" e afirmou que a Casa Branca ainda não enviou nenhum pedido formal para análise . Outra republicana moderada, Lisa Murkowski, foi mais dura: "Você simplesmente não pode chegar aqui com uma fatura e dizer 'pague isso' e esperar grande cooperação".

Do lado democrata, a rejeição é ainda mais veemente. O senador Ruben Gallego, veterano da Guerra do Iraque, foi direto: "No auge do combate, a Guerra do Iraque custava cerca de US$ 140 bilhões por ano. Se o Pentágono está pedindo US$ 200 bilhões, eles estão pedindo uma guerra longa. A resposta é um simples não" . O senador Chris Van Hollen classificou o pedido como "absolutamente inaceitável" e defendeu o corte de financiamento como forma de conter o que chamou de "administração sem lei".

O custo da guerra e o esforço para repor estoques

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, ao ser questionado sobre o valor, não confirmou o montante exato, mas deixou clara a necessidade de recursos. "Obviamente, é preciso dinheiro para matar bandidos. Vamos voltar ao Congresso para garantir que sejamos adequadamente financiados pelo que foi feito e pelo que podemos ter que fazer no futuro", justificou.

Levantamentos preliminares indicam que apenas nos primeiros seis dias de conflito, os gastos militares ultrapassaram US$ 11,3 bilhões . Analistas apontam que, embora os EUA tenham feito preparativos de grande escala, as reservas de munições são limitadas e a capacidade industrial de defesa americana está em declínio, o que pode restringir a capacidade de sustentar um conflito de alta intensidade por um período prolongado.

O debate sobre o financiamento expõe uma divisão profunda no Capitólio. Enquanto líderes republicanos, como o presidente da Câmara, Mike Johnson, defendem a necessidade de "financiar adequadamente a defesa" em tempos perigosos, democratas e alguns fiscalistas conservadores resistem a um aumento tão expressivo sem uma estratégia clara. A deputada Rosa DeLauro, democrata de alto escalão no Comitê de Apropriações, resumiu o sentimento de parte significativa do Congresso sobre os US$ 200 bilhões: "É ultrajante".