Bolsonaro tem melhora nos pulmões e pode deixar UTI, mas segue sem previsão de alta; defesa aguarda decisão de Moraes sobre prisão domiciliar
Ex-presidente apresenta evolução clínica com melhora parcial dos aspectos tomográficos e dos marcadores inflamatórios. Médico afirma que ambiente familiar seria melhor, mas STF já negou pedidos anteriores
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Internado desde a última sexta-feira (13) no Hospital DF Star, em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) sem previsão de alta, mas apresenta evolução positiva no quadro clínico. De acordo com boletim médico divulgado na manhã desta quinta-feira (19), o ex-presidente teve "melhora parcial dos aspectos tomográficos e melhora importante dos marcadores inflamatórios", resultado da resposta favorável ao tratamento com antibióticos.
Bolsonaro foi internado após passar mal na Papudinha, unidade do Complexo Penitenciário da Papuda onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. O diagnóstico foi de broncopneumonia bacteriana bilateral decorrente de um episódio de broncoaspiração — complicação relacionada ao histórico de soluços crônicos que o ex-presidente enfrenta desde a facada de 2018.
O cardiologista Brasil Caiado, que acompanha de perto o caso, afirmou que o ex-presidente apresentou melhora nos dois pulmões, com evolução mais significativa no pulmão direito, enquanto o esquerdo ainda mantém "comprometimento moderado". Apesar da melhora, a recuperação é considerada lenta.
"No início, os exames indicaram uma piora do quadro, foi o que mais nos preocupou. Ontem foi o dia que ele — muito temerário, preocupado pelo cansaço, pela falta de ar — apresentou melhora progressiva", relatou o médico . Segundo ele, a equipe monitora um possível risco de fibrose pulmonar, mas trabalha para que isso não ocorra.
Desde segunda-feira (16), Bolsonaro foi transferido para uma nova acomodação dentro da própria UTI, classificada como "mais adequada" para o quadro clínico atual — uma espécie de unidade intermediária entre a terapia intensiva e o quarto . A expectativa dos médicos é que ele possa deixar a UTI até o fim da semana, mas ainda não há data para alta hospitalar.
Paralelamente à evolução do quadro clínico, a defesa do ex-presidente protocolou na terça-feira (17) um novo pedido de prisão domiciliar no Supremo Tribunal Federal (STF). O requerimento será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Os advogados argumentam que a internação emergencial comprova a fragilidade do quadro de saúde e que a permanência na Papudinha expõe o ex-presidente a um "risco progressivo". No documento, a defesa cita o histórico de pneumonias aspirativas recorrentes, refluxo gastroesofágico persistente, apneia do sono grave, instabilidade postural e uso contínuo de múltiplas medicações.
"A partir desse dado objetivo, verifica-se que a permanência do peticionário no atual ambiente de custódia expõe o quadro clínico a um risco progressivo, na medida em que a ausência de vigilância contínua e de intervenção imediata favorecem a repetição de eventos semelhantes", diz a petição .
Em entrevista, o médico Brasil Caiado endossou o argumento dos advogados: "Quando falamos do ponto de vista médico, técnico, um ambiente mais acolhedor, com mais recursos de profissionais adequados, multidisciplinares, fisioterapia, sem dúvida nenhuma, o ambiente familiar, residencial, é bem melhor".
No início de março, Moraes já havia negado pedido semelhante, afirmando que a Papudinha dispõe de assistência médica 24 horas, unidade avançada do Samu e livre acesso da equipe médica particular. O ministro também citou a tentativa de Bolsonaro de romper a tornozeleira eletrônica como fator que inviabiliza o benefício.
Na ocasião, Moraes destacou "a total adequação do ambiente prisional às necessidades médicas do apenado, com absoluto respeito à sua saúde e à dignidade da pessoa humana".
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve com o ministro na quarta-feira (18) e classificou a reunião como "tranquila e objetiva". Segundo ele, Moraes analisará o pedido em "momento oportuno", sem prazo definido.
Esta é a terceira pneumonia enfrentada pelo ex-presidente desde que foi preso, e a mais severa até o momento. Desde a facada de 2018, Bolsonaro passou por 14 cirurgias, sendo 10 delas diretamente relacionadas a sequelas do ferimento abdominal e complicações decorrentes de procedimentos posteriores. As três cirurgias mais recentes foram realizadas em dezembro de 2025, incluindo uma para correção de duas hérnias na virilha e dois procedimentos para bloquear o nervo frênico e reduzir os episódios de soluço.
O ex-presidente permanece internado, consciente e orientado, realizando sessões de fisioterapia respiratória e motora, e segue sob suporte clínico intensivo.