31 de julho de 2025
DECISÃO JUDICIAL

TRF-6 autoriza Bolsonaro a manter motoristas e estrutura mesmo após prisão

Por unanimidade, 4ª Turma entende que benefícios a ex-presidente não são automaticamente suspensos com cumprimento de pena

Por RAYANY FRANÇA
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Ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES

A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou um novo desdobramento no campo judicial. A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 6ª Região decidiu, por unanimidade, que o ex-mandatário pode continuar tendo acesso a benefícios como veículos oficiais, motoristas e assessores pagos com recursos públicos.

O entendimento do colegiado contraria interpretações anteriores que defendiam a suspensão automática desses serviços em caso de prisão. Para os desembargadores da 4ª Turma, os benefícios concedidos a ex-presidentes têm natureza institucional e não estão condicionados, de forma direta, à liberdade do beneficiário.

Na decisão, os magistrados avaliaram que a manutenção da estrutura não configura, por si só, irregularidade administrativa. Segundo o voto vencedor, esses recursos visam garantir suporte mínimo ao ex-chefe do Executivo, independentemente de sua condição momentânea, desde que não haja uso indevido comprovado.

A decisão também levou em consideração aspectos relacionados à segurança e à função institucional do cargo anteriormente ocupado. Para o tribunal, mesmo em situação de custódia, o ex-presidente mantém prerrogativas que justificam a continuidade de parte da estrutura disponibilizada pelo Estado.

O julgamento foi unânime e reforça a interpretação de que eventuais restrições a esses benefícios devem ser analisadas caso a caso, e não aplicadas de forma automática. Com isso, Bolsonaro permanece com acesso aos serviços enquanto não houver nova decisão que determine o contrário.

O caso reacende o debate sobre os limites dos benefícios concedidos a ex-presidentes da República, especialmente em situações excepcionais como o cumprimento de pena. Especialistas apontam que a decisão da 4ª Turma do TRF-6 pode servir de referência para situações semelhantes no futuro.