31 de julho de 2025
POLÍTICA

Defesa de Bolsonaro aguarda laudo médico para novo pedido de prisão domiciliar após internação na UTI

Ex-presidente já teve ao menos quatro solicitações negadas pelo STF desde a condenação por tentativa de golpe; parlamentares bolsonaristas intensificam pressão política

Por Redação
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O ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Antônio Augusto/STF

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro prepara um novo pedido de prisão domiciliar e aguarda um laudo médico atualizado para acionar o Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star, em Brasília, desde sexta-feira (13), com um quadro de broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa.

Segundo apuração da CNN, os advogados aguardam os documentos que atestem as condições atuais de saúde do ex-presidente para protocolar o requerimento. O último boletim médico, divulgado na manhã deste domingo (15), aponta que Bolsonaro apresentou evolução no quadro de pneumonia e melhora da função renal, mas mantém marcadores inflamatórios elevados, o que levou à ampliação da cobertura de antibióticos. Não há previsão de alta da UTI.

Ainda na sexta-feira, o advogado Paulo Cunha Bueno já sinalizava a intenção de protocolar um novo pedido de domiciliar. "A defesa tem insistido reiteradamente na necessidade da transferência do presidente para a custódia domiciliar, diante de um quadro de saúde que demanda cuidados e precauções que jamais poderão ser dispensadas em qualquer estabelecimento prisional, por melhores condições que apresente", escreveu nas redes sociais .

Histórico de pedidos negados

Desde que foi preso preventivamente em novembro do ano passado, a defesa de Bolsonaro já apresentou ao menos quatro pedidos de prisão domiciliar. Todos foram negados pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.

Nos requerimentos, os advogados alegam que Bolsonaro é idoso, possui saúde frágil e necessita de acompanhamento médico constante. Em 19 de dezembro, Moraes autorizou uma cirurgia de correção de hérnia, mas negou a domiciliar, citando descumprimentos reiterados de medidas cautelares e indícios de tentativa de fuga.

Em 2 de março, com base em laudo pericial, Moraes voltou a negar o pedido, afirmando que a estrutura da Papudinha atende integralmente às necessidades médicas do ex-presidente, com atendimentos regulares, sessões de fisioterapia e possibilidade de atividades físicas.

Pressão política e reações

A internação reacendeu a pressão de parlamentares bolsonaristas por uma mudança na decisão do STF. O líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou à Folha que os aliados vão continuar pressionando politicamente e que a estratégia inclui disparar ataques à corte.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já adiantou que apresentará uma nova solicitação ao STF e criticou as negativas anteriores. "Mais uma vez, reforço aqui, que estão brincando com a vida do meu pai. Não dá mais pra ficar com essa postura de achar que isso aqui é algum tipo de frescura, ou ficar com essa paranoia de que ele pode fugir", declarou.

Por outro lado, parlamentares da base governista avaliam que a chance de Bolsonaro ser enviado para casa permanece pequena. O líder do PDT, deputado Mário Heringer (MG), afirmou que "cada evento que ele tiver vai ser usado pela base dele para tentar constranger o Judiciário e sensibilizar para o lado dele".

Enquanto isso, Bolsonaro segue internado na UTI sob escolta de policiais militares, com visitas restritas à esposa Michelle e aos filhos, autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes.

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