31 de julho de 2025
POLÍTICA

Entidades de imprensa pedem proteção a jornalistas ameaçados após vídeo compartilhado por Michelle Bolsonaro

Abraji, Fenaj e Sindicato dos Jornalistas repudiam ataques virtuais e presenciais contra profissionais que cobrem internação do ex-presidente; duas repórteres já sofreram agressões nas ruas

Por Redação
Publicado em
Hospital DF Star, em Brasília. - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Entidades que representam jornalistas brasileiros se mobilizaram neste domingo (15) para repudiar as agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa que trabalham na cobertura da internação do ex-presidente Jair Bolsonaro no hospital DF Star, em Brasília. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção imediata aos trabalhadores.

Segundo a Abraji, os ataques se intensificaram após uma influenciadora digital bolsonarista divulgar um vídeo acusando, sem provas, os jornalistas que aguardavam informações na porta do hospital de "desejarem a morte" do ex-presidente. O conteúdo foi compartilhado por parlamentares e pela própria ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem mais de 8 milhões de seguidores em suas redes sociais.

A Abraji classificou a divulgação como um "gesto irresponsável", afirmando que o registro foi deturpado e expôs jornalistas "que estavam simplesmente exercendo seu trabalho" a ameaças e difamações. "É inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa. Esse tipo de ataque não é apenas uma ameaça individual — é um ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia", sustenta a associação.

De acordo com a entidade, as agressões não ficaram restritas ao ambiente digital: ao menos duas repórteres sofreram ataques presenciais ao serem reconhecidas na rua . Ainda segundo a Abraji, montagens e vídeos produzidos com inteligência artificial foram divulgados, inclusive simulando que uma das profissionais é esfaqueada, e fotos de filhos e parentes de jornalistas estão sendo usadas como instrumento de intimidação e assédio.

A Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal cobraram reforço da Polícia Militar na frente do hospital para impedir "cerceamento e agressões" ao trabalho da imprensa "por parte de militantes". "Lembramos que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico", destacaram as entidades.

As organizações exigem ainda uma apuração rigorosa das ameaças e que as empresas de jornalismo proporcionem condições seguras de trabalho, incluindo apoio jurídico e a possibilidade de afastamento do local caso os profissionais não se sintam seguros. Ao menos dois jornalistas já registraram boletim de ocorrência após receberem ameaças de morte.

Reafirmamos que a liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia. O jornalismo é essencial para levar fatos ao conhecimento público, e não pode ser cerceado por métodos de coação física ou psicológica. Não aceitaremos a intimidação como método político", concluem as entidades.

A Agência Brasil não conseguiu contato com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e com a Polícia Civil para saber se mais boletins de ocorrência foram registrados . Bolsonaro permanece internado na UTI do hospital DF Star desde sexta-feira (13) com broncopneumonia bacteriana bilateral.

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