Irã diz à ONU que 1.332 civis morreram no conflito e acusa EUA de atacar infraestrutura civil
Embaixador iraniano rebate declarações de Trump sobre interferência na escolha de novo líder e afirma que Teerã não ataca países vizinhos; EUA investigam possível responsabilidade por ataque a escola
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O embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani, afirmou nessa sexta-feira (6) que pelo menos 1.332 civis iranianos foram mortos até o momento no conflito com Israel e os Estados Unidos, e que milhares de outros ficaram feridos. Em conversa com jornalistas na sede da ONU, em Nova York, Iravani acusou as forças norte-americanas e israelenses de terem deliberadamente como alvo a infraestrutura civil do país persa .
O diplomata iraniano contrastou a conduta militar de Teerã com a dos adversários, afirmando que o Irã direcionou seus ataques exclusivamente a alvos militares. "Nossa avaliação inicial indica que alguns incidentes podem ter sido resultado de interceptações ou interferências do sistema de defesa dos Estados Unidos, que poderiam ter desviado alvos militares pretendidos", declarou, referindo-se a alegações de que mísseis iranianos teriam atingido áreas civis .
Segundo Iravani, o Irã não tem como alvo os interesses dos países vizinhos e está investigando ativamente as alegações de que teria atingido locais não militares, como no caso do Catar, onde destroços caíram em área residencial . Ele também mencionou a crise no Estreito de Ormuz, onde um navio-tanque das Ilhas Marshall foi atingido, e pediu que todos os lados "ajam com sabedoria para conter o conflito", mas reiterou que a via diplomática só será possível quando houver disposição dos EUA .
Trump exige "rendição incondicional" e interferência na liderança
As declarações do embaixador foram uma resposta direta às falas do presidente dos EUA, Donald Trump, que na quinta-feira (5) exigiu a "rendição incondicional" do Irã e afirmou que o novo líder supremo do país deve ser "aceitável" para Washington, após a morte do aiatolá Ali Khamenei no primeiro dia da guerra . Trump disse à Reuters que deve ter voz na escolha da nova liderança iraniana .
Iravani rebateu com veemência a declaração, classificando-a como "uma clara violação dos princípios de não interferência nos assuntos internos dos Estados, conforme consagrado na Carta das Nações Unidas" . "A seleção da liderança do Irã ocorrerá estritamente de acordo com nossos procedimentos constitucionais e exclusivamente pela vontade do povo iraniano, sem qualquer interferência estrangeira", afirmou .
Mediação e investigação sobre escola
Horas após os comentários de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou que países não especificados haviam iniciado esforços de mediação, um dos primeiros sinais de qualquer iniciativa diplomática para encerrar o conflito, que já dura oito dias e provocou centenas de mortes e uma grave crise energética global .
Em um desdobramento significativo, duas autoridades norte-americanas disseram à Reuters que investigadores dos EUA acreditam que é provável que as forças norte-americanas tenham sido responsáveis por um aparente ataque a uma escola de meninas iranianas que matou dezenas de crianças no último sábado (28) . As autoridades afirmaram que ainda não chegaram a uma conclusão definitiva, mas que a possibilidade está sendo investigada como um erro operacional . A Casa Branca não comentou oficialmente o caso, que, se confirmado, aprofundaria ainda mais a crise humanitária e política do conflito .