31 de julho de 2025
inusitado

Artemis II: o que os astronautas vão comer na missão à órbita da Lua

Com dez dias ao redor da Lua, astronautas terão menu variado, mas enfrentam desafios como a ausência de geladeira e o perigo das partículas flutuantes em microgravidade

Por Redação
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Missão Artemis II - Foto: Divulgação/Nasa

Enquanto trabalha para solucionar problemas técnicos e viabilizar o lançamento da missão Artemis II, a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) decidiu matar a curiosidade do público sobre um dos aspectos mais intrigantes da vida fora da Terra: a alimentação. A agência espacial norte-americana revelou como será o cardápio dos quatro astronautas que viajarão a bordo da espaçonave Orion em uma jornada de dez dias ao redor da Lua, marcada para "não antes de abril" após sucessivos adiamentos.

A missão, que representa um passo fundamental para o retorno humano à superfície lunar, impõe desafios logísticos específicos quando o assunto é comida. A Orion não dispõe de espaço generoso para armazenamento nem de sistemas de refrigeração, o que levou os engenheiros a optarem exclusivamente por alimentos não perecíveis. A escolha não é apenas uma questão de conveniência, mas de segurança: "Os alimentos não perecíveis ajudam a gerenciar a segurança e a qualidade alimentar durante todo o período de conservação previsto em uma nave espacial compacta e autônoma, ao mesmo tempo que reduzem o risco de migalhas ou partículas em microgravidade", explicou a agência.

O problema das migalhas, vale destacar, está longe de ser um detalhe menor em uma missão espacial. Em experiências anteriores, sanduíches consumidos em órbita ficaram rançosos e liberaram pequenas partículas que passaram a flutuar livremente no ambiente de microgravidade. Esses fragmentos representam uma ameaça real: podem infiltrar-se em equipamentos sensíveis ou, em um cenário mais preocupante, serem acidentalmente inalados pelos tripulantes.

Para evitar contratempos e garantir variedade, o menu da Artemis II apresenta uma diversidade maior do que a disponível em missões passadas. Os astronautas terão à disposição dez tipos de bebidas, incluindo café, chá verde, limonada e cacau. Alimentos secos como granola, nozes e amêndoas complementam a dieta, mas o verdadeiro carro-chefe serão as 58 unidades de tortilhas, que cumprem o papel de alimento principal por serem práticas e produzirem poucos resíduos. Para quem gosta de dar um toque especial às refeições, nada menos que cinco tipos diferentes de molho picante estarão a bordo, além de xarope de bordo, mostarda, manteiga de amendoim, mel e canela. O cardápio ainda reserva espaço para momentos de indulgência, com chocolates, biscoitos, pudim e bolos.

"A comida que será levada a bordo da Artemis II foi projetada para favorecer a saúde e o desempenho da tripulação durante a missão ao redor da Lua", destacou a Nasa em comunicado. A agência enfatiza que, sem possibilidade de reabastecimento, refrigeração ou carregamento tardio, cada item alimentar passou por um crivo rigoroso para garantir segurança, durabilidade e facilidade de preparo e consumo no ambiente confinado da Orion. No caso das bebidas, a oferta é calculada individualmente: cada astronauta poderá consumir duas bebidas com sabor por dia, o que inclui o precioso café, mas o volume total é limitado pelas restrições de carga útil.

O preparo das refeições em si é um processo simplificado, mas não menos fascinante. Os alimentos viajam praticamente prontos para consumo, exigindo intervenção mínima da tripulação. Classificados como prontos para consumir, reidratáveis, termoestabilizados ou irradiados, eles dependem de dois equipamentos essenciais: o dispensador de água potável da Orion, usado para reidratar comidas e bebidas, e um aquecedor compacto, com formato de maleta, que permite aquecer as refeições conforme a necessidade.

A evolução do sistema alimentar espacial fica evidente quando se compara o menu da Artemis II com as experiências das primeiras missões. O site especializado IFLScience recorda que astronautas do programa Apollo precisavam se contentar com pasta de fígado e carne em tubos, tendo calda de chocolate como sobremesa. Cubos diminutos, pós liofilizados e misturas semilíquidas em recipientes de alumínio também faziam parte da rotina. O astronauta John Glenn, primeiro norte-americano a se alimentar no ambiente de microgravidade, até considerou a tarefa de comer relativamente fácil, mas não escondia a insatisfação com o cardápio limitado.

Hoje, a situação é radicalmente diferente. Na Estação Espacial Internacional (ISS), os tripulantes chegam a receber alimentos frescos esporadicamente, embora muitos relatem que a comida simplesmente não tem o mesmo sabor no espaço. Enquanto isso, em solo, as equipes da Nasa seguem trabalhando a todo vapor para finalmente tirar a Artemis II do papel: "O trabalho no foguete e na nave espacial continuará nas próximas semanas, enquanto a Nasa se prepara para levar o foguete novamente à plataforma de lançamento no final deste mês, antes de um possível lançamento em abril", informou a agência em sua atualização mais recente.