31 de julho de 2025
MUNDO

Hamas, Hezbollah e Huthis juram vingança pela morte de Khamenei; Irã anuncia conselho provisório

Líderes de grupos aliados do Irã classificam ataque como "crime de guerra" e prometem responder a Israel e EUA; ONU convoca reunião de emergência e Papa pede fim da violência

Por Redação
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Líderes de grupos aliados do Irã classificam ataque como "crime de guerra" e prometem responder a Israel e EUA; ONU convoca reunião de emergência e Papa pede fim da violência - Foto: Reprodução

A morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em ataques coordenados por Estados Unidos e Israel neste sábado (28), provocou uma onda de reações e ameaças de vingança por parte de grupos aliados do regime iraniano em todo o Oriente Médio. O Irã, por sua vez, anunciou neste domingo (1º) a formação de um Conselho de Liderança Temporária para garantir a continuidade do governo durante a crise.

Grupos xiitas e palestinos prometem retaliar

O grupo libanês Hezbollah, um dos principais aliados do Irã na região, foi o primeiro a se manifestar. Em comunicado, o líder do movimento, Naim Qassem, afirmou que "cumpriremos o nosso dever enfrentando a agressão" e garantiu que, "quaisquer que sejam os sacrifícios, não abandonaremos o campo da resistência".

O Hamas, movimento islamita palestino que controla a Faixa de Gaza, classificou o ataque que matou Khamenei como um "crime hediondo". O Irã sempre foi um dos principais apoiadores do grupo, que travou uma guerra de dois anos contra Israel.

A Jihad Islâmica, aliada do Hamas, também emitiu nota condenando a ação. O grupo classificou a morte de Khamenei como um "crime de guerra" cometido por Estados Unidos e Israel em um "ataque traiçoeiro e mal-intencionado".

Os Huthis, movimento rebelde que controla parte do Iêmen e é apoiado pelo Irã, referiram-se ao líder morto como "mártir" e declararam que seu legado inspirará "uma resistência contínua contra os Estados Unidos e Israel". Em nota, o Conselho Político Supremo dos huthis afirmou que Khamenei "travou uma longa luta de jihad contra os inimigos da nação islâmica, os sionistas e os norte-americanos, e concluiu a sua vida com o martírio às mãos dos inimigos de Deus e assassinos de profetas".

Irã anuncia conselho provisório e promete vingança

Diante da morte do líder supremo, o Irã anunciou neste domingo a formação de um Conselho de Liderança Temporária, que assume de forma imediata as atribuições de Khamenei, incluindo o comando das Forças Armadas e as decisões de segurança e política externa. O conselho é composto por três autoridades: o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do judiciário Gholamhossein Mohseni-Ejei e o jurista do Conselho dos Guardiães, aiatolá Alireza Arafi.

As funções são provisórias até que a Assembleia de Especialistas, composta por 88 clérigos, eleja o sucessor permanente.

Em pronunciamento, o presidente Pezeshkian afirmou que a morte de Khamenei é uma "declaração de guerra contra os muçulmanos" e falou em "vingança legítima" contra os Estados Unidos e Israel.

Reação internacional

O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre a morte do aiatolá. No sábado, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) expressou profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo e solidarizou-se com Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia, países que foram alvos de ataques retaliatórios do Irã.

O Papa Leão XIV apelou pelo fim da "espiral de violência" no Oriente Médio. "Acompanho com profunda preocupação tudo o que está a acontecer no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam destruição, dor e morte", disse.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, condenou o uso da força, classificou a escalada militar como uma "grave ameaça à paz e à segurança internacionais" e convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança .

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a situação como "profundamente preocupante", enquanto a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, pediu "máxima contenção".

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, expressou preocupação com os riscos à saúde da população na região e lembrou que "a paz, como sempre, é o melhor remédio".

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que monitora de perto as instalações nucleares na região e cobrou moderação para evitar riscos à segurança nuclear. Até o momento, não há evidências de qualquer impacto radiológico.

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