Chuva volta a castigar Juiz de Fora, número de mortos chega a 48 na Zona da Mata mineira
Temporal persiste na quinta-feira com alertas severos de deslizamentos; 19 pessoas seguem desaparecidas e mais de 3 mil estão desabrigadas
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A chuva voltou a castigar Juiz de Fora na noite desta quarta-feira (25), agravando ainda mais a tragédia que já atinge a Zona da Mata mineira desde o último domingo. De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMG), novos temporais alagaram ruas e elevaram os riscos de novos deslizamentos em áreas já bastante afetadas.
O número de mortes na região subiu para 48, sendo 42 em Juiz de Fora e seis em Ubá. Há ainda 19 pessoas desaparecidas (17 em Juiz de Fora e dois em Ubá). Mais de 3.000 pessoas estão desabrigadas na cidade da Zona da Mata, além de centenas de desalojados.
A Defesa Civil de Juiz de Fora emitiu alertas severos de risco geológico durante a noite, orientando a população a deixar imediatamente áreas de encosta, locais com risco de queda de muro e desabamentos. Em apenas uma hora, foram disparados seis alertas extremos para bairros como Juscelino Kubitschek, Linhares, Democrata e Esplanada.
A previsão do Clima Tempo indica que as chuvas devem persistir ao longo desta quinta-feira (26) na Zona da Mata. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta vermelho de grande perigo para acumulado de chuva, que pode ultrapassar 100 milímetros por dia, com riscos de grandes alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas.
Diante da gravidade, Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública na última terça-feira (24), válido por seis meses. A Defesa Civil Nacional já reconheceu federalmente a situação de calamidade em Juiz de Fora e, de forma sumária, em Ubá e Matias Barbosa, permitindo que os municípios solicitem recursos do governo federal para ações de socorro e reconstrução.
Em Ubá, a Defesa Civil informou que choveu cerca de 170 milímetros em apenas três horas, provocando a maior inundação dos últimos anos. O município instaurou um plano de contingência e montou uma sala de crise para coordenar as ações de emergência. Equipes atuam no atendimento às vítimas e na resposta aos chamados de desabamentos, enxurradas e enchentes.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) intensificou as ações de apoio, enviando oito técnicos do Grupo de Apoio a Desastres (GADE) para o estado. O ministro Waldez Góes esteve em Minas Gerais para acompanhar as operações de assistência humanitária.
A Defesa Civil orienta que a população fique atenta a sinais de risco, como trincas nas paredes, rachaduras no solo, inclinação de postes ou árvores e aumento do nível de rios próximos. Em qualquer sinal de perigo, as pessoas devem buscar áreas seguras, como abrigos montados pelos municípios, casas de parentes ou amigos.
O sistema Defesa Civil Alerta, implementado nacionalmente, pode enviar mensagens de texto e avisos sonoros para celulares em áreas de risco, mesmo em modo silencioso, sem necessidade de cadastro prévio.
As buscas por desaparecidos prosseguem em nove pontos ativos em Juiz de Fora, com cerca de 20 postos de socorro montados. No entanto, as chuvas trazem insegurança para os socorristas e dificultam a remoção de escombros, tornando o trabalho mais perigoso e demorado.