31 de julho de 2025
CONGRESSO

Entidades repudiam violência contra jornalista na Câmara: “Inaceitável e absurdo”

Manuela Borges foi cercada e intimidada por grupo de servidores após questionar parlamentares do PL sobre outdoors com Michelle Bolsonaro

Por Redação
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Sindicatos repudiam violência contra jornalista na Câmara - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Entidades ligadas ao jornalismo divulgaram, nesta quarta-feira (24), uma nota de repúdio contra o episódio de violência sofrido pela jornalista Manuela Borges, do Portal ICL Notícias, no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília, na tarde de terça-feira (23). O documento, assinado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), pelo Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF, pela Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e pela Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ, classifica o ocorrido como "inaceitável e absurdo", apontando "grave violência" e "coação" contra a profissional no exercício da função dentro de uma Casa legislativa.

De acordo com as entidades, Manuela Borges foi cercada e intimidada por um grupo de cerca de 20 pessoas, entre servidores de gabinetes parlamentares e militantes políticos, depois de questionar parlamentares do PL sobre a instalação de outdoors no Distrito Federal com imagens da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

A jornalista cobria uma entrevista à imprensa de parlamentares opositores ao governo federal quando fez a pergunta sobre os outdoors. A partir daí, passou a ser hostilizada. Relatos indicam que simpatizantes dos políticos colocaram celulares muito próximos ao rosto dela e gritaram em tom de intimidação.

"Nosso papel é o de fazer perguntas. Doa a quem doer. Não podemos sofrer violência por causa disso", afirmou Manuela Borges em entrevista à Agência Brasil.

Para as entidades signatárias, o cerco agressivo contra uma mulher jornalista tem como objetivo silenciar questionamentos e fragilizar a presença feminina nos espaços de poder. A nota destaca que a liberdade de imprensa é pilar fundamental da democracia e "não pode ser cerceada por métodos de coação física e psicológica praticados por servidores públicos pagos com o dinheiro da sociedade".

Os representantes dos profissionais enfatizam que a violência excede o ataque individual à profissional e se constitui em um ataque frontal contra a categoria de jornalistas, contra a profissão e contra o próprio jornalismo.

As entidades também criticaram a postura da Polícia Legislativa, que estava presente no local mas, segundo relatos, não interferiu para garantir a integridade da jornalista durante o episódio.

Na nota, os sindicatos e coletivos exigem da presidência da Câmara dos Deputados a imediata e rigorosa apuração do caso e a responsabilização administrativa e legal de todos os servidores e parlamentares envolvidos na violência contra Manuela Borges.

As entidades também cobram medidas de segurança que garantam o livre exercício da profissão por jornalistas em todas as dependências do Congresso Nacional. Uma representação formal será feita à Presidência da Câmara, acompanhada de imagens e vídeos que auxiliem na identificação dos agressores.

Apesar do episódio, Manuela Borges afirmou que não vai se intimidar e que pretende continuar a cobertura na Câmara dos Deputados normalmente, como faz há mais de 20 anos. Em 2014, ela já havia sido ofendida pelo então deputado federal Jair Bolsonaro depois de fazer perguntas sobre o golpe de 1964.

A reportagem da Agência Brasil buscou posicionamento do Partido Liberal e da presidência da Câmara sobre o episódio, mas até o momento não houve manifestação. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.

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