Mito ou verdade? Saiba se o uso da airfryer pode causar a formação de acrilamida nos alimentos
A acrilamida surge quando alimentos ricos em amido são submetidos ao calor seco acima de 120 °C
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A airfryer se consolidou como um dos eletrodomésticos mais populares nos lares brasileiros devido à sua praticidade e à promessa de preparar receitas utilizando menos óleo. Recentemente, no entanto, o aparelho passou a levantar dúvidas entre os consumidores a respeito da formação de acrilamida, um composto químico frequentemente associado a potenciais riscos para a saúde.
Especialistas esclarecem que o equipamento não é o responsável direto pela produção da substância. Em entrevista ao portal Pulsa, a nutricionista Stella Terassi explicou que a airfryer apenas cria as condições térmicas que favorecem uma reação química natural, a qual também ocorre em outros métodos tradicionais de cocção que utilizam altas temperaturas.
A acrilamida surge quando alimentos ricos em amido são submetidos ao calor seco acima de 120 °C, seja no forno convencional, na grelha, na torradeira ou na fritura por imersão. De acordo com a nutricionista Ana Paula Leal, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a substância é resultado da Reação de Maillard, processo em que o aminoácido asparagina interage com açúcares naturais do alimento, gerando o aspecto dourado e o sabor característico dos assados.
Quais alimentos exigem maior atenção?
Os alimentos ricos em amido são os principais propensos a desenvolver o composto. Os consumidores devem ficar atentos ao tempo de preparo de itens como:
Tubérculos: batata inglesa, batata-doce, mandioca, mandioquinha, inhame e cará.
Grãos e derivados: milho, pipoca, biscoitos, torradas, cereais matinais e produtos de panificação.
Vegetais com menor teor de amido, como abobrinha, berinjela, cenoura e couve-flor, apresentam riscos significativamente menores. Contudo, os especialistas alertam que mesmo esses alimentos podem acumular pequenas quantidades da substância caso fiquem excessivamente tostados ou queimados.
7 orientações para reduzir a exposição no dia a dia
Não há necessidade de deixar de usar o eletrodoméstico. Mudanças simples nos hábitos de preparo ajudam a garantir refeições seguras:
Controle a temperatura: Evite a potência máxima e prefira assar tubérculos entre 160 °C e 180 °C.
Corte pedaços maiores: Alimentos cortados em tamanhos maiores reduzem a área de superfície exposta ao calor seco.
Deixe de molho: Manter batatas ou mandiocas imersas em água por 15 a 30 minutos antes do preparo ajuda a eliminar o excesso de açúcar superficial.
Evite superlotar o cesto: A circulação livre de ar impede a criação de pontos isolados de superaquecimento.
Monitore a coloração: Retire os alimentos do cesto assim que atingirem um tom dourado claro. Evite que as bordas escureçam.
Modere na crocância: Não estenda o tempo de cozimento apenas para obter texturas excessivamente tostadas.
Diversifique os métodos: Intercale o uso da fritadeira sem óleo com pratos cozidos, refogados ou feitos no vapor.
Nível de preocupação real
Os principais alertas científicos sobre a acrilamida são baseados em estudos com modelos animais. Até o momento, as evidências epidemiológicas em humanos são limitadas e não estabelecem uma relação direta de causa e efeito entre o consumo habitual na dieta e o desenvolvimento de patologias graves. O consenso médico atual recomenda precaução no preparo diário, descartando a necessidade de pânico.
O foco principal deve se manter no equilíbrio nutricional. Conforme destacou a neurocientista do comportamento alimentar, Sophie Deram, a intenção não é demonizar o uso da tecnologia ou cortar alimentos específicos, mas sim incentivar técnicas corretas de culinária combinadas a uma rotina baseada em alimentos in natura e minimamente processados.