Calor, ratos e móveis quebrados: servidores do HGE denunciam ambiente de trabalho precário no Hemoal
Profissionais lotados há um ano no prédio vizinho ao hospital relatam falta de ar-condicionado, goteiras, colchões rasgados e elevador parado há dois anos; sindicato aciona Ministério Público do Trabalho
Publicado em
Enquanto o governo do estado exibe propagandas sobre a suposta qualidade da saúde pública em Alagoas, a realidade dentro de uma unidade anexa ao maior hospital de urgência do estado é bem outra: servidores lotados no prédio do Hemoal Trapiche, vizinho ao Hospital Geral do Estado (HGE), trabalham há cerca de um ano sob calor extremo, infiltrações, mobiliário quebrado e até a presença de ratos circulando pelos corredores.
A denúncia foi formalizada pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde de Alagoas (SINDPREV), que realizou uma visita técnica na quinta-feira (29) e constatou um cenário de abandono. O local abriga profissionais do 1º e 2º andar que deveriam exercer suas funções em condições mínimas de dignidade — mas, na prática, enfrentam uma rotina de insalubridade e risco à saúde.

Os aparelhos de ar-condicionado existem, mas estão desligados. A justificativa oficial, segundo os trabalhadores, é evitar sobrecarga nos geradores. O resultado: salas fechadas, sem circulação de ar, onde até mesmo beber água se torna um problema. O chamado "gela água" não funciona, e os servidores são obrigados a ingerir água natural — que, diante da temperatura ambiente, chega a ser servida quente.
O calor não é apenas desconfortável. Ele adoece. Profissionais relatam mal-estar constante, fadiga intensa, dores de cabeça frequentes e queda acentuada no rendimento. "É impossível manter a concentração para trabalhar", desabafou um servidor. Em algumas salas, parte do teto desaba. Os colchões destinados ao descanso dos plantonistas estão rasgados. Cadeiras quebradas se acumulam nos setores. Sem alternativa, muitos levam ventiladores de casa para tentar amenizar o ambiente.

Há ainda relatos da circulação de ratos pelos corredores, o que agrava os riscos sanitários e o sentimento de abandono entre os trabalhadores.
A situação atinge também a assistência prestada à população. Psicólogos e psiquiatras atendem em salas fechadas, sem climatização, expondo profissionais e pacientes a condições incompatíveis com um ambiente terapêutico. O elevador do prédio está quebrado há aproximadamente dois anos, o que obriga servidores — inclusive aqueles com mobilidade reduzida — a subir e descer escadas durante toda a jornada, além de dificultar o transporte de materiais.
Especialistas em direito do trabalho ouvidos pelo sindicato apontam que o cenário fere ao menos duas normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho: a NR-17, que trata de ergonomia e adaptação do ambiente às necessidades dos trabalhadores, e a NR-24, que estabelece condições mínimas de conforto térmico nos locais de trabalho.

Diante da gravidade do que foi apurado, o SINDPREV anunciou que acionará o Ministério Público do Trabalho (MPT) para que o órgão realize fiscalização in loco e exija a imediata regularização das condições ambientais e estruturais da unidade.
O sindicato afirma que esta não é uma denúncia isolada, mas mais um capítulo de uma repetida omissão do governo Paulo Dantas em relação aos servidores da saúde. "Repudiamos com veemência as propagandas enganosas sobre a saúde do estado. Revelamos a verdade: uma saúde desprezada e, ao que parece, totalmente corrompida", afirmou a entidade em nota.