31 de julho de 2025
EDUCAÇÃO

Ufal dá boas-vindas aos estudantes com palestra de Leonardo Sakamoto

Semestre 2026.1 começa dia 23 de fevereiro com jornalista premiado, especialista em direitos humanos; calourada substitui trotes por acolhimento e inclusão

Por Redação
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Leonardo Sakamoto. - Foto: Reprodução

A Universidade Federal de Alagoas abre as portas para o primeiro semestre de 2026 com um motivo extra para celebrar: pela primeira vez em anos, o calendário acadêmico finalmente está sincronizado com o calendário civil. O tão esperado reencontro entre estudantes, professores e técnicos acontece no dia 23 de fevereiro, uma segunda-feira, a partir das 14h, no auditório da Reitoria, no Campus A.C. Simões, em Maceió. A solenidade será transmitida simultaneamente para os campi de Arapiraca e do Sertão, em Delmiro Gouveia.

Mais do que uma cerimônia protocola, a aula inaugural deste semestre tem nome e causa. O jornalista Leonardo Sakamoto, doutor em Ciência Política pela USP e professor da PUC-SP, profere a palestra “Falta amor no mundo, mas também interpretação de texto – Redes, diálogo e direitos humanos no Brasil hoje”. A escolha do convidado não é casual. Sakamoto é referência nacional e internacional no enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo e na defesa dos direitos humanos. Fundador da ONG Repórter Brasil, colunista do UOL e comentarista do Jornal da Cultura, acumula prêmios como o Vladimir Herzog. Em tempos de desinformação e ataques à ciência, a universidade aposta no diálogo como ferramenta de resistência.

A mesa de abertura contará com o reitor Josealdo Tonholo, a vice-reitora Eliane Cavalcanti e um representante do Diretório Central dos Estudantes. A fala institucional, no entanto, dá espaço a uma virada de chave na forma como a universidade recepciona seus calouros. Longe dos antigos trotes, muitas vezes marcados por humilhação, a calourada da Ufal se propõe a ser um espaço de acolhimento efetivo. A programação inclui centros acadêmicos, coletivos e entidades estudantis, que apresentarão suas agendas e mostrarão a diversidade de possibilidades dentro da vida acadêmica. Há coletivos específicos para receber estudantes PCDs e neurodivergentes, reafirmando o compromisso da instituição com a inclusão.

Para a pró-reitora de Graduação, Eliane Barbosa, o momento é de reconstrução. “É uma alegria imensa estarmos iniciando mais um semestre letivo e nos revermos. A universidade entra em sintonia com a vivacidade que tem através do encontro entre as pessoas”, afirma. Ela destaca ainda que a reorganização do calendário, um processo longo e agravado pelos impactos da pandemia, finalmente foi superada. “Isso traz um fôlego para estudantes, docentes e técnicos retomarem suas atividades com todo o gás”, completa.

Por trás da recepção calorosa, há também números que sustentam a confiança da gestão. Nos últimos ciclos avaliativos, os cursos de graduação da Ufal mantiveram ou elevaram seus conceitos, alcançando os níveis mais altos. O resultado é fruto de um esforço coletivo que envolve novos docentes empossados, reformulações pedagógicas em curso nas licenciaturas e avanços nas políticas de tecnologias assistivas.

A pró-reitora Eliane Barbosa deixa um recado direto aos estudantes que cruzam pela primeira vez os portões da universidade: participar da vida acadêmica desde o começo faz diferença. “O engajamento em colegiados, projetos, eventos e atividades complementares contribui para a formação e evita dificuldades na reta final da graduação”, alerta.

A aula inaugural e a Semana de Acolhimento são, portanto, mais do que um rito de passagem. São um convite para ocupar a universidade, conhecer pessoas, trocar ideias e construir uma trajetória que, como se espera de uma universidade pública, seja transformadora — dentro e fora da sala de aula.

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