31 de julho de 2025
BRASIL

Felca lança abaixo-assinado por disque-denúncia 24h contra maus-tratos a animais

Influenciador propõe canal único, anônimo e nacional para denúncias, após morte de cão agredido por adolescentes em Florianópolis

Por Redação
Publicado em
O influenciador Felca - Foto: Reprodução/Instagram

"Já deu de falar do cachorro Orelha. É só um cachorro."

Foi assim, com uma frase propositalmente dura, que o influenciador Felca começou o vídeo publicado em seu Instagram nesta quinta-feira (12/2). O youtuber, que recentemente denunciou a adultização de crianças por influenciadores digitais, agora volta sua atenção para uma causa que mobilizou o país: a morte do cão Orelha, agredido por adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis (SC).

A frase de impacto, claro, era uma isca. Em segundos, Felca explicou: não, não deu. E nunca vai dar enquanto o Brasil não tiver um sistema eficiente para impedir que crueldades como essa se repitam.

O influenciador aproveitou a comoção nacional para lançar um abaixo-assinado pela criação de um disque-denúncia nacional, gratuito, anônimo e com funcionamento 24 horas exclusivamente para casos de maus-tratos contra animais. A petição já circula nas redes e propõe algo simples na teoria, mas revolucionário na prática: um canal único, desburocratizado, que qualquer cidadão possa acionar sem precisar virar investigador particular.

Quem já tentou denunciar maus-tratos sabe: o caminho é um labirinto.

Precisa acionar a polícia, registrar boletim de ocorrência, muitas vezes ter flagrante, depender da boa vontade do atendente, torcer para o caso não ser tratado como "menor potencial ofensivo" e, não raro, apelar para as redes sociais na esperança de que a vergonha pública force alguma autoridade a agir.

Felca conhece bem essa realidade. Foi exatamente o que aconteceu com o caso Orelha: o cão, querido por moradores da região, era conhecido, tinha nome, tinha rosto. Mesmo assim, adolescentes o agrediram até a morte. A revolta só virou investigação depois que vídeos circularam e a internet fez o que o sistema, sozinho, não fez.

"Eu vejo gente incomodada com a repercussão. 'Já entendemos, foi cruel, já deu'. Mas eu vejo isso com bons olhos. É um caso chocante, e é bom que choque. É sinal de que ainda somos humanos", disse Felca.

O incômodo, para ele, não é ruído. É combustível.

O modelo defendido pelo influenciador não é nenhuma fantasia. Países como a Alemanha já operam sistemas semelhantes: um número único, nacional, com atendentes treinados para fazer triagem e encaminhar o caso para o órgão correto — polícia, fiscalização veterinária, serviço municipal de zoonoses, dependendo da gravidade.

No Brasil, o que existe é um mosaico de canais esparsos. Alguns municípios têm centrais próprias. Outros, não. O Disque-Denúncia tradicional atende violência contra animais, mas não é exclusivo nem padronizado. O resultado: a população não sabe a quem recorrer, e muitos casos simplesmente morrem na burocracia.

A proposta de Felca prevê:

  • Atendimento 24 horas, todos os dias da semana
  • Garantia de anonimato ao denunciante
  • Coleta padronizada de informações (local, tipo de animal, risco imediato)
  • Triagem e encaminhamento obrigatório para o órgão competente
  • Sistema nacional integrado, com registro centralizado de denúncias e reincidências

Ou seja: um canal que não apenas recebe a queixa, mas garante que ela chegue a quem pode agir — e que permita rastrear, no futuro, se aquele endereço já apareceu outras vezes.

O cão Orelha não era um animal qualquer na Praia Brava. Moradores o conheciam, alimentavam, davam carinho. Era um cachorro de rua que tinha, de certa forma, uma comunidade. Isso não impediu que adolescentes o atacassem com requintes de crueldade.

A morte do animal, registrada em vídeo, provocou uma onda de indignação que atravessou bolhas. O caso virou notícia nacional, gerou protestos e acendeu um debate incômodo: por que ainda é tão difícil impedir que isso aconteça?

Para Felca, a resposta está na ausência de um sistema eficiente de prevenção. O abaixo-assinado tenta preencher exatamente essa lacuna.

"Vamos usar a revolta que sentimos por esses adolescentes para algo que causa uma mudança real. Para que o cachorro Orelha seja eternizado como o cachorrinho que salvou milhões de outros", completou.

O abaixo-assinado está disponível nas redes do influenciador e já começou a circular entre protetores de animais, ONGs e parlamentares da área. A ideia é reunir assinaturas suficientes para pressionar o Congresso Nacional e os governos estaduais a implementarem o canal de forma integrada.

Enquanto isso, o caso Orelha segue em investigação. Os adolescentes envolvidos foram identificados e responderão por maus-tratos — crime com pena de até 5 anos de reclusão, segundo a Lei Sansão. Mas a família do cão, formada por dezenas de moradores que o acolhiam na praia, sabe que nenhuma pena trará Orelha de volta.

Leia também