PCSC pede apreensão de passaporte de adolescente suspeito de matar cão Orelha em Florianópolis
Medida visa impedir que suspeito deixe o Brasil; caso enfrenta críticas por lacunas na investigação, e MP-SC pede mais detalhamento
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A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) solicitou à Justiça, nesta sexta-feira (6), a apreensão do passaporte de um dos adolescentes suspeitos de agredir e causar a morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. O pedido, comunicado também à Polícia Federal, tem como objetivo impedir que o jovem deixe o Brasil enquanto o caso é investigado.
A medida ocorre em um momento em que a investigação policial sofre fortes críticas por supostas lacunas e inconsistências. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) já solicitou que a PCSC preste "mais esclarecimentos" e apresente "maior precisão" na reconstrução dos fatos. A defesa dos suspeitos apontou fragilidades nas provas.
Principais pontos de conflito na investigação:
- Vídeo da Defesa: A defesa do adolescente divulgou um vídeo de câmera de segurança que mostra Orelha andando aparentemente sem ferimentos às 7h05 do dia 4 de janeiro, cerca de 1h30 após o horário estimado da agressão (por volta das 5h30). A polícia confirmou ser o animal, mas afirma nunca ter dito que a morte foi imediata.
- Vídeo da Acusação: A PCSC sustenta a suspeita com outro vídeo que mostra o adolescente saindo e retornando a um condomínio no intervalo do suposto crime (5h25 às 5h58). No entanto, as roupas do jovem não aparecem com sangue e nenhuma câmera captou o momento exato da agressão.
- Outras Provas: A polícia alega contar com laudo pericial (que aponta pancada contundente na cabeça), geolocalização do celular do suspeito e relatos de testemunhas.
O inquérito, que envolve oito adolescentes investigados e analisou mais de mil horas de gravações, foi concluído na terça-feira (3). A PCSC pediu a internação de um dos jovens (medida equivalente à prisão para adultos) e indiciou três adultos por coação a testemunha. Devido à gravidade, ONGs protocolaram pedido para federalizar o caso, alegando risco de impunidade e falhas na apuração.
O processo tramita em segredo de Justiça por envolver menores de idade. O MP-SC também investiga possíveis ameaças e coação envolvendo familiares dos investigados.