Caso Orelha: Ministério Público solicita esclarecimentos apontando lacunas na investigação da Polícia Civil
MPSC pede "maior precisão" após análise do inquérito; defesa dos suspeitos e vídeo com novas imagens questionam a linha investigativa, e ONGs pressionam pela federalização do processo
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A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) enfrenta duras críticas e questionamentos sobre a condução das investigações da morte do cão comunitário Orelha e dos maus-tratos ao cão Caramelo, ocorridos em Florianópolis. A percepção de lacunas no inquérito levou o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a solicitar, nesta sexta-feira (6 de fevereiro), que a polícia preste "mais esclarecimentos" e apresente "maior precisão na reconstrução dos acontecimentos".
Em uma análise preliminar, tanto a 10ª Promotoria de Justiça (Infância e Juventude) quanto a 2ª Promotoria de Justiça (Criminal) de Florianópolis concluíram pela necessidade de detalhamento e complementação da apuração. O MP também investiga denúncias de coação a testemunhas e ameaças a familiares dos adolescentes investigados e a um porteiro do bairro Praia Brava.
A defesa dos suspeitos apontou fragilidades nas provas, contestando versões da polícia. Um vídeo divulgado pela defesa na quinta-feira (5 de fevereiro) mostra Orelha caminhando aparentemente sem ferimentos às 7h05 do dia 4 de janeiro, cerca de uma hora e meia após o horário estimado pela polícia para a agressão (por volta das 5h30). A Polícia Civil confirmou que o cão no vídeo é Orelha, mas ressaltou que nunca afirmou que a morte foi imediata.
A principal prova da PCSC é um vídeo que mostra um dos adolescentes suspeitos saindo e retornando a um condomínio no intervalo coincidente com o horário do ataque. No entanto, nenhuma das mais de mil horas de gravação de 14 câmeras da região capturou o momento exato da agressão. A ausência de manchas de sangue nas roupas do jovem no vídeo também é um ponto de questionamento, dada a violência do crime – o laudo da Polícia Científica aponta que Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente de um chute ou objeto rígido.
A polícia sustenta sua tese com a geolocalização do telefone do suspeito no local e com relatos de testemunhas. Devido à gravidade, pediu a internação do adolescente (equivalente à prisão para adultos) e indiciou três adultos por coação a testemunha.
A insatisfação com a apuração levou Organizações Não Governamentais (ONGs) a protocolar um pedido formal para que o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) assumam o caso. O documento cita riscos de falhas, parcialidade e impunidade, especialmente pela possibilidade de o crime ter sido incentivado por plataformas online e pela hipótese de que a gravidade das lesões possa indicar mais de um agressor.